Artigos de opinião podem ser preparados com vários dias de antecedência. Geralmente o são. Mas este, fugiu à regra por uma razão muito simples: a data de publicação era no dia seguinte à grande festa social democrata nacional, o Chão da Lagoa. Sim, uma festa nacional, tal como Pedro Passos Coelho fez questão de sublinhar.
Escrevo este artigo imediatamente após o ponto auge do Chão da Lagoa, nomeadamente dos discursos políticos da grande festa. Fica-me na memória a bandeira da Venezuela que uma senhora tinha atado junta à do PSD. Que demonstra como o PSD-Madeira abraça as comunidades madeirenses e suas preocupações, tal como essa diáspora abraça o PSD.
A maneira como os jovens da JSD e os menos jovens anónimos partilharam exactamente a mesma medida de fervor durante os discursos de Miguel Albuquerque, Pedro Passos Coelho e de André Alves.
E registo a admiração com a qual os social-democratas do continente que nos vieram visitar para a festa, constataram a forte mobilização e o pulsar laranja. “Isto bate o Pontal 30 a zero, Rubina”, diziam. E com razão.
Um partido que olha para o futuro, trabalha o presente e nunca renega o seu passado e o seu ADN social-democrata. Esta é a genuinidade do PSD-Madeira. E é fundamental enquadrar não só regional e nacionalmente o sucesso da Festa do Chão da Lagoa de ontem. Esta mobilização ocorre quando o mundo tal como o vivemos está de avessas.
De avessas, apesar do inicio daquilo que se costuma apelidar de “silly season”.
Aliás, costumava ser fácil perceber quando arrancava a silly season entre nós. Geralmente com os habituais “questionários de verão” publicados numa miríade de jornais.
Este ano não é assim. Não existe hábito ou status quo ao qual nos possamos agarrar. É o atentado em Nice, que nos faz questionar o curso da nossa humanidade coletiva. São dois ataques barbaramente aleatórios na Baviera.
Até a Comissão Europeia teima em não entrar no período divino da silly season, que engrossa a voz contra Portugal e Espanha no capítulo das sanções. E é um mundo às avessas onde os partidos políticos tradicionais perdem diariamente eleitores para as vãs promessas dos demagogos e populistas.
Por isso é que o Chão da Lagoa é uma preciosidade neste mar de incerteza. Onde um partido de bases, renova-se e mantém precisamente essa confiança do eleitorado madeirense e portosantense. Uma preciosidade tão nossa e com mensagem para tantos políticos por esse mundo fora.
Rubina Berardo