O 'namimng' dos estádios de futebol foi um negócio importado dos Estados Unidos pelos ingleses e que rende milhões. Por isso, percebe-se que tenham surgido campos de futebol com nomes de marcas de televisores, companhias aéreas, bancos e seguros. Mas para ao adeptos importa pouco e Anfield Road será sempre a casa do Liverpool, mesmo que vendam o nome a uma marca de aspiradores ou de lâminas de barba. Até podem dar nomes engraçados, como 'Dragão' que o Estádio do FC Porto será sempre das Antas. Pelo menos para os portistas.

Quando decidiram partilhar a Avenida do Mar – um dos nomes mais bonitos para uma marginal – com as comunidades madeirenses, ninguém levou a mal, mas também não ligou muito.

Os dirigentes dos clubes, políticos e afins, gostam desta coisa do 'naming', porque rende milhões de euros e milhares de votos e lá vão baptizando praças, estádios, rotundas, pontes, com mais ou menos humor, com alguma justiça ou sem juízo nenhum.

Não é esse o caso da escolha do nome de Cristiano Ronaldo Aveiro para o Aeroporto da Madeira. Se fizermos um exercício de memória, podemos recuar até João Gonçalves Zarco e não encontrar um único madeirense com mais projecção mundial do que o rapaz de Santo António que um dia, com apenas 11 anos, entrou a medo num avião e foi jogar para o Sporting. Só a sua aventura pessoal justifica reconhecimento, mesmo sem bolas de ouro e campeonatos da Europa. Por isso, não choca a escolha. O que choca é ter sido feita uma escolha. Porque carga d'água era preciso mudar o nome do aeroporto para agradecer ao rapaz a propaganda que tem feito da sua terra?

Já não se percebeu a ideia de mudar o nome do Aeroporto de Santa Catarina para Aeroporto da Madeira, como não há outra razão que não o oportunismo, seja turístico, comercial, mediático ou político, para o novo 'naming'.

Claro que logo que foi anunciada a decisão do governo – não havia nada mais interessante para debater? - surgiram os prós e os contras e até petições para impedir o novo baptismo. Uma saga digital semelhante à maluquice dos pokémons que vai animar as redes sociais até ao fim do Verão. Pode ser interessante para alguns, mas não deveria valer mais do que um dos bonecos mais fáceis. Sim, porque o aeroporto será sempre de Santa Catarina.

A discussão atinge níveis tão insanos que até há quem chame 'herói nacional' ao Cristiano Ronaldo e 'maior português de sempre'. O rapaz é um artista, um dos melhores de sempre da sua arte, mas não é um herói. Se querem saber a diferença, está mesmo perto do hotel CR7. Subindo para o 'Carlton', vamos pela Rua Carvalho Araújo. Esse, sim, um herói. Um rapaz de 37 anos que morreu ao comando da sua pequena canhoeira, em pleno Atlântico, enfrentando um submarino alemão para proteger um paquete cheio de passageiros. Foi em 1918, quando ainda não havia aeroportos para baptizar.