Hoje é o dia da Festa do PSD na Herdade. É dia de assistirmos a bonitos discursos políticos. Daqueles que nos enchem a alma de esperança.
Haverá com certeza empolgação política. Engane-se quem ainda acredita que não existam candidatos já definidos. Os candidatos naturais estão todos identificados.
Para todos os concelhos e freguesias.
E a estratégia do PSD para as próximas autárquicas é clara. Querem passar a ideia de que o problema do PSD nas autárquicas de 2013 foram os seus candidatos.
Candidatos que são militantes do PSD e que deram a sua cara por um partido em dificuldades. Que tiveram de enfrentar uma conjuntura política muito adversa pelo partido que representavam.
A começar pela dura política de austeridade imposta pelo próprio partido a nível nacional conduzida pelo Presidente do Partido – dr. Pedro Passos Coelho. O que me faz pensar sobre a sua legitimidade para estar hoje na Festa da Herdade. Enquanto foi Primeiro-ministro de Portugal nunca cá veio ajudar o seu partido a nível regional, pois o interesse era abatê-lo.
Bem ou mal, vemos, neste momento, um Governo de Coligação de António Costa mais aberto ao diálogo e à resolução dos problemas da nossa Região.
2013 foi o ano do boom do desemprego. Da grande vaga de emigração, por iniciativa e por conselho do governo, que teve como consequência o desmembramento de muitas famílias com duros custos emocionais. Tempo em que o governo do PSD-Nacional implementou cortes de pensões que sustentavam famílias em dificuldades com os filhos e netos a voltarem à casa dos avós e se implementou cortes substanciais nos ordenados dos funcionários públicos com a suspensão do subsídio de férias e, no caso da Madeira, com agravante da suspensão do subsídio de insularidade que continua a não ser reposto.
A acrescentar tudo isto, 2013 foi o ano da introdução das novas regras do IMI definidas pelas Câmaras Municipais e na aplicação exímia da lei, na 5.ª feira antes das eleições de 2013 a Câmara Municipal do Funchal implementou o novo horário laboral, passando os trabalhadores municipais a efetuar 40 horas semanais quando o horário aplicado até então era das 35 horas.
A discussão interna da sucessão, entretanto iniciada, criou instabilidade política e criou-se a ideia que haveriam uns “traidores”, iniciando-se aí um processo de desrespeito pelos militantes que deram a cara pelo partido.
Mas mais importante que tudo isto, é o alheamento da realidade do dia-a-dia do cidadão que continua a passar por dificuldades. O discurso político afirma haver melhorias na diminuição do desemprego na Região e no terreno os desempregados são os mesmos. Se já não estão desempregados é porque emigraram ou simplesmente não são já custo para o Estado pela longa duração do desemprego.
Na saúde, o “tem de haver” para a construção do novo hospital está a demorar. E entretanto, o povo sofre sem respostas para as suas doenças que faz contar cada minuto pela aflição. Visitar familiares doentes no hospital é de cortar o coração, quando o nosso Hospital foi já uma referência nacional.Tanta ênfase é dada ao novo hospital e esquece-se que hoje, agora, neste momento em que lê este artigo alguém está em agonia e aguarda.
Nos transportes, o “tem de haver” para um ferry demora. E, entretanto, a economia madeirense definha. Esquecem-se que um problema quando não resolvido na hora certa ganha velocidade e a sua solução torna-se a cada dia que passa mais difícil.
Os investimentos que “têm de haver” para renovar a economia e dar nova dinâmica à nossa Região, tardam em aparecer. Se não fossem os investimentos nas ribeiras, poderíamos pensar que este governo estava em gestão corrente. Mas e a crítica à política pública de investimentos do passado? Esvaneceu?
Para onde caminhamos e que respostas estão a ser dadas aos problemas das pessoas?
Não se serve um partido abanando só a cabeça. É preferível a dura realidade antes das eleições. Na hora do voto, o povo que sofre não esquece. E gato escaldado de água fria tem medo. Confiança é como borracha. Fica menor a cada erro cometido.
Fátima Ascensão