Os adoçantes artificiais ou edulcorantes, surgiram na nossa alimentação com a premissa de baixar a quantidade de açúcar e as calorias ingeridas, mantendo sempre presente o sabor doce. Substâncias como aspartame, sacarina, acessulfame K, neotame, advantame ou sucralose, já são presença diária na nossa alimentação há longos anos, primeiro de forma isolada, como substitutos do açúcar no café e nos chás, mais tarde de forma dissimulada em quase tudo o que comemos que tenha origem na indústria alimentar. Se percorrermos os rótulos dos produtos alimentares que estão à nossa disposição nos supermercados e similares, constatamos que eles se encontram nos iogurtes, nos cereais, nas bolachas, nos sumos e refrigerantes, nos gelados, até em produtos que não nos levantariam qualquer tipo de suspeição, como é o caso das águas aromatizadas, e espante-se, em suplementos vitamínicos. Percebe-se então que eles estão completamente disseminados nos nossos produtos alimentares, podendo encontrá-los onde menos espera, ou seja, em produtos que não tenham a designação light, zero ou sem açúcar, onde a sua presença é quase garantida. Quem nunca pensou: “Isto diz sem açúcar, mas é tão doce!”. Pois é, para além de os adoçantes artificiais terem um valor calórico extremamente baixo, são também conhecidos pelo elevado poder de tornar os alimentos muito mais doces, chegando algumas substâncias a serem 13.000 vezes mais adoçantes que o próprio açúcar. Mas como não há bela sem senão, os adoçantes artificiais não podiam fugir à regra, e de grandes salvadores cheios de sabor, começam agora a ser olhados com desconfiança. São vários os estudos que relacionam estas substâncias com o agravamento de desequilíbrios e distúrbios, alimentares e endócrinos, estando já a ser estabelecida associação entre o consumo de adoçantes artificiais e aumento do apetite e ganho de peso. No campo da diabetes, também parece que promovem desequilíbrio glicémico através do rápido aumento da glicemia e dos níveis de insulina. Parece um contra-senso não é? O que sabemos actualmente, é que estas substâncias não têm a inocuidade que se julgava terem. A presença de açúcar na nossa alimentação diária deve ser baixa e as formas artificiais até podem ser mais prejudiciais que o próprio açúcar. É importante reduzir a presença destas substâncias no nosso organismo, diminuir a nossa consciência e a nossa apetência pelo sabor doce. Por isso, quando o desejo pelo doce for grande, opte pelo original. Afinal, um dia não são dias, certo?

Joana Silva Afonso - Nutricionista