“A raposa quando não chega ás uvas maduras, diz que estão verdes”! Esta curiosa frase, supostamente atribuída a Esopo, ... mais tarde citada por La Fontaine, traduz bem a posição de alguns franceses e outros europeus, após a final do recente campeonato europeu de futebol. A sorte ... ou o azar, muitas vezes referidos pelos comentadores ou observadores do desporto, têm muito pouca validade, especialmente num campeonato, em que há múltiplas interferências e onde se passam por muitas etapas de provas. Por isso mesmo o golfista norte-americano Tiger Woods, disse um dia, que, ... - Como treino oito horas por dia, tenho a imensa sorte da bola cair sempre dentro do buraco! Ambas existem, ... a sorte procura-se, o azar evita-se ... mas não servem para pôr diáriamente á mesa do pequeno almoço! Se fosse assim, de que serviriam, a ciência, a tecnologia,... o treino, ... a genética, a bioquímica! Depois das iniciais críticas, nefastas e agrestes, á nossa selecção, com uma panóplia de lamentações pelo meio ... como é apanágio do portuga mal-dizente, eis que, chegamos aos quartos, ás meias, e á final. E eis que, a equipa - que antes de tudo o mais, sempre se portou verdadeiramente como uma equipa - começa a jogar e a superar os adversários com uma simplicidade lusitana. Não conheço pessoalmente o treinador do conjunto português, engenheiro de profissão - apesar de ter sido jogador do glorioso C. S. Marítimo, nos finais dos anos 70, princípios de 80, ... mas percebi, que para ele o psíquico é tão ou mais importante que o físico. Depois vêm os jogos, as tácticas e os intervenientes, que não oferecem qualquer discussão. Joga A ou joga B, isso é para o treinador, porque é ele quem sabe e manda! Treinador que teve a ousadia e a imodéstia em focar cada jogo “per si”, dirigindo sempre outro foco para o final da competição - considerado o objectivo a atingir. E lá chegámos, passando até por uma secção de penaltis, que ganhámos, porque defendemos bem um dos livres, que não foi mal executado, mas bem anulado. A sorte, sempre atribuída aos penaltis,... desta vez não a vi! Jogo feio ?? ... ouvi eu, em tantos comentários! Mas o que é jogo bonito, jogado num campeonato destes?? Julgava que o feio e o bonito eram adjectivos, para utilizar nos concursos de beleza e para classificar shampôs para cabelos!! Depois falou-se que existia uma petição ... também não sei o que é isso, ... porque nasci em 1951, e nesses tempos não ensinavam essas coisas na Escola! Só tínhamos de saber os rios de Portugal e os nomes das Serras, as capitais do Mundo, mas de petições não se aprendeu nada! Daí a minha ignorância! Mais tarde, como todos viram, ou ouviram, veio a final, com as peripécias que observámos, um jogo calculista, com uma arbitragem distraída e bairrista, que foi evoluindo para um prolongamento, ... como era de esperar. Depois, marcámos, ganhámos, levámos a Taça e ... somos os Campeões da Europa! As apelidadas ovelhas mais negras da U. E. ganharam em 2004 e em 2016! Não temos de estar felizes ?? Vamos usar este bom momento da nossa história desportiva ... e transportar para outras áreas, essa nossa qualidade intrínseca, onde exactamente a tivermos, melhorar naquilo em que estamos pior e procurar utilizar este momento alto da nossa auto-estima, para incentivar a recuperação do nosso bem-estar, que significa também o bem-estar do nosso país. Comecei pelo futebol, mas seguiu-se o atletismo, a canoagem, o hóquei em patins, o surf, ...e em muito breve espaço de tempo, vamos para os Jogos Olímpicos, no Brasil. Temos de reconhecer, os nossos valores, o nosso trabalho, a nossa capacidade técnica e os nossos conhecimentos. Em desporto de competição ou de rendimento, a sorte e o azar, cada vez contam menos e os intervenientes sabem bem disso que estou a falar. Os nossos atletas, os praticantes desportivos, são, hoje em dia, muito conhecedores do treino desportivo, da recuperação, dos tratamentos, da alimentação, da psicologia, sabem da sua “profissão”, e sabem que quase nada acontece por acaso. Se estiveram com a devida atenção, na final do futebol europeu, repararam que o nosso capitão, apesar de estar no “estaleiro”, foi um autêntico “general” a apoiar e a incentivar as “tropas”, ajudando dentro do possível, para a vitória justa, que naturalmente aconteceu! Para mim foi uma imagem muito positiva e marcante desta final explosiva. Tomara que os nossos políticos europeus, nos dessem tantas alegrias, quantas o desporto nos dá ... para permanecermos com o astral bem alto, lá no firmamento! Apoiar o fenómeno desportivo, como exemplo em apoiar, o que é ou pode ser bom, salutar e até rentável, é concerteza um bom ponto de partida para uma recuperação completa da nossa identidade, economia e até independência, ... face a um mundo de acordos e conflitos que não estão a resultar nada bem! P.S. CR7 com mais uma Bola de Ouro ?? Naturelment !!
José Manuel Morna Ramos