Sílvia Ferreira Quando pais e contribuintes delegam a gestão de escolas à Secretaria Regional de Educação, não quer dizer que não devam ter voz ativa nas decisões tomadas. Sempre que há alterações significativas, deveria haver espaço à discussão ou debate construtivo de propostas e, uma vez introduzidas as alterações, estas deveriam ser faseadas e progressivas. Ora, nada disto se está a passar, por exemplo, na “proposta” de fusão dos Infantários O Girassol e O Carrossel. Compreendemos a necessidade de maximizar e poupar recursos, mas tal não deve ser feito à custa de crianças que, no próximo ano letivo, serão confrontadas com uma realidade estranha. Em setembro, as turmas dos referidos infantários e as suas equipas pedagógicas serão profundamente alteradas, sem que se olhe à situação afetiva e relacional das crianças. Estas, até agora, faziam parte de um grupo estável e serão obrigadas a uma nova adaptação meramente por razões de gestão de recursos que tem na sua base uma visão economicista e que francamente, do meu ponto de vista, nem conduzirá a uma poupança que justifique o impacto negativo que terá na vida das crianças. Nesta situação, penso que a Secretaria Regional da Educação estará a subjugar-se à Secretaria Regional das Finanças mas, nesta subjugação, as vítimas são crianças de um, dois e três anos e isso é inadmissível. A poupança seria efetiva se a Secretaria Regional da Educação deixasse de financiar as escolas privadas. Saliento ainda que, uma mensalidade para uma criança que não tenha escalão nos infantários acima referidos ronda os 220 euros. Também por isto, os pais deveriam ser ouvidos neste processo. Termino com uma palavra de apreço para com os profissionais destes estabelecimentos de ensino que mereceriam ver o seu trabalho devidamente reconhecido por parte da tutela.