Cada vez mais generalizadamente, os políticos entraram numa era de promessa fáceis, ao encontro das aspirações recalcadas e contra os inimigos invisíveis e gerados oportunisticamente, para induzir o eleitor mais incauto na solução mais fácil. O grande objectivo é ganhar o próximo acto eleitoral. O sentido de Estado foi chão que deu uvas…

No Reino Unido, em plena campanha eleitoral, com uma sociedade revoltada com a crise que chegou a todos, o candidato Cameron acenou com um Calcitrin adequado para a solução de todas as crises: referendo à permanência na União Europeia.

No consumismo desenfreado e irracional, próprio duma época de promessas fáceis e populistas, por um lado, e, por outro, num contexto de revolta por exigência de solidariedade humanitária, como a que se pedia relativamente aos emigrantes e refugiados oriundos dos países onde se tentou implementar a “Primavera Árabe”, estavam criadas as condições para esquecer o problema e matar o emissário. Isto é, a indústria de material de guerra (com a destaque para a inglesa) que fomentou, ganhou e continua a ganhar fortunas com as vendas de armas para a guerra não é problema, mas sim as vítimas geradas por essa guerra onde estes que perderam tudo!

Tal como no Calcitrin, esqueceram-se dos efeitos secundários!

Relativamente ao Calcitrin, o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos alertou que se trará de “uma situação que configura uma publicidade enganosa, abusiva, que cria falsas expectativas nos consumidores, Não está demonstrado que o suplemento de cálcio possa diminuir as fracturas ósseas. Pelo contrário, está demonstrado que as pessoas ficam expostas a riscos mais elevados de acidentes cardiovasculares, de problemas renais, até de problemas gastrointestinais e obstipação”.

No caso Brexit, depois da promessa irreflectida, Cameron, agora primeiro ministro, teve de passar aos actos, com um discurso radicalmente oposto: em vez do Brexit, pretendia o Bremain!

Conhecidos os resultados, o Reino de Sua Majestade, de Unido, só ficou com o nome! A primeira ministra escocesa, Nicola Sturgeon, veio afirmar que “a Escócia vê o seu futuro como parte da UE. A Escócia votou de forma clara e decisiva para permanecer como parte da União Europeia, 62% contra 38%”. Além disso, parece que o petróleo, porque do Mar do Norte, é mais escocês do inglês…

O partido Sinn Féin, da Irlanda do Norte, já discute a unificação com a República da Irlanda.

“Temos uma situação em que o Norte vai ser arrastado para fora [da União Europeia] devido a uma votação em Inglaterra (...). O Sinn Féin vai fortalecer o seu pedido, sua exigência de longa data, para uma votação sobre a fronteira”, afirmou Declan Kearney, presidente do partido, antigo braço político do IRA.

Na City, administradores de grandes empresas, sobretudo bancárias e industriais, já vieram a público anunciar a deslocalização das suas sedes para outras cidades europeias, com as consequências que daí advêm…

No dia seguinte ao conhecimento dos resultados, uma petição recolheu mais de um milhão de apoiantes para um segundo referendo, agora ao “exit Brexit”! E os dirigentes europeus a esgotarem o Calcitrin! Quo vadis, UE?

Manuel Vieira