A revolução de 25 de Abril de 1974 é um marco extraordinário da história do nosso País, e sou da opinião ao contrário de muitos, que nunca fez tão sentido festejá-lo, exaltar os seus valores, dignificando não apenas todos aqueles que lutaram para que hoje possamos ter Liberdade, o maior de todos os valores da humanidade, mas também para que as gerações mais novas percebam o período miserável que foi o Estado Novo, e quanto Portugal evoluiu em termos de desenvolvimento sócio-económico, com um salto exponencial das condições de vida dos seus cidadãos ao longo destes 42 anos. Não esqueçamos os milhares de pessoas que foram perseguidos, presos e torturados pela polícia política. Não esqueçamos todos aqueles que lutaram para informar, escrever e publicitar o País real, o Portugal onde se passava muitas dificuldades, de autêntico miserabilismo, onde a pobreza andava de mão dada com a fome, onde os mais básicos direitos eram inexistentes e se formatava as ideias e crenças de todo um povo. Um País que qualquer jovem de hoje não suportaria, mas foi o Portugal onde os seus pais e avós cresceram, e que felizmente já não existe. Sendo certo que ciclicamente temos de lidar com crises e depressões coletivas, sendo a mais sintomática a dos últimos 4 anos onde tivémos uma intervenção externa e um governo de vistas curtas (para não dizer mais), a evolução que houve ao nível dos cuidados de saúde, a criação da segurança social, o desenvolvimento económico e criação de emprego, o aumento do nível de rendimentos, a melhoria incrível da escolaridade e qualificações da população em geral, tudo contribuiu para que o 25 de Abril fizesse sentido, e que muito tenhamos a agradecer a quem o tornou possível. Uma Revolução de Cravos, de Ideias, de Solidariedade, de Liberdade e Imaginação. Obrigado Pais e Avós por nos terem deixado este legado e este País maravilhoso. “Esta é a madrugada que eu esperava O dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a substância do tempo” Sophia de Mello Breyner Andresen

Miguel Iglésias Presidente do PS-Funchal