A poucas jornadas de terminar a Liga Inglesa de futebol, e numa altura em que a surpresa Leicester comanda destacado com grandes probabilidades de vir a ser campeão, este clube que ainda há duas épocas estava na segunda divisão, leva-nos a reflectir sobre o nosso campeonato e a nossa vivência desportiva.
Quem acompanha o fenómeno desportivo em Portugal sabe bem que o futebol é que domina as atenções e que de norte a sul do País incluindo as Regiões Autónomas da Madeira e Açores o desporto rei é o barómetro de todas as discussões que a clubite proporciona.
Num País com pouco mais de 10 milhões de habitantes, assistimos por norma que a maioria dos apaixonados sejam adeptos de um dos chamados 3 grandes clubes (Benfica, Sporting e Porto) e que também independentemente de onde residem tenham um segundo clube, regra geral da cidade onde nasceram. Esta “regra” tem uma excepção pois em Guimarães, berço da nação Portuguesa, a maioria dos vimaranenses tem o seu clube de preferência, o Vitória local, por norma não simpatizam com nenhum dos denominados grandes.
A força e o poderio dos 3 grandes em Portugal é tanta, que tudo gira à volta dos seus interesses e o campeonato no nosso País é um bolo que (especialmente nos últimos anos) só está ao alcance destas 3 equipas. Assistimos na comunicação social, tanto nas televisões, nas rádios e nos jornais a conversas e discussões onde os únicos protagonistas são os 3 grandes e periodicamente os outros clubes conseguem algumas migalhas. Num jogo em que intervenha um grande é ver uma discussão ferrada durante dias sobre um erro de um árbitro e um silêncio sobre quatro ou cinco erros graves de outro árbitro noutro qualquer jogo.
Enfim é a nossa cultura desportiva, tudo gira à volta do futebol e dos 3 grandes, ficando os outros clubes e modalidades à procura permanente do seu verdadeiro e mais que justo espaço. Será que as gerações vindouras vão dar a volta a esta maneira de viver e pensar o desporto em Portugal?
A terminar, dizer que na minha modalidade tivemos um fim-de-semana mais que concorrido, diria frenético até, provas sexta, sábado e domingo nas pistas da Ribeira Brava, corrida nocturna do planeta na noite de sábado no Funchal e domingo de manhã outra corrida, a das florestas, que ligou a Bica da Cana aos Estanquinhos no planalto do Paúl da Serra. Que grande demonstração de pujança e vitalidade duma modalidade que tem cada vez mais adeptos e praticantes e onde não se perdem dias a discutir o eventual penalty que não foi marcado. Sejam felizes, façam exercício físico, pratiquem desporto.
Egídio Olim