Miguel Alves Minha querida Sant’Ana… Preciso falar contigo Desabafar Minh‘alma Numa conversa a sério Neste conselho de amigo Dizendo bem o que sinto Sem sair do meu critério. Com a verdade não brinco Há caminhos a percorrer Para tua vida melhorar E assim poderes dizer Venham para aqui morar Terás tu, que apreender A ponta por onde pegar. O teu pai não foi marujo Nunca te vires p’ró mar Eu à verdade não fujo É p’ra a serra, o teu virar Sabido que nesta terra Os turistas são bem-vindos Recupera trilhos na serra E terás dias mais lindos Lembras-te… Daquele trilho que tinhas? A partir do ribeiro do eixo Onde eu apanhava as pinhas? Passava pelos alvedrinhos Entre folhados e seixos Seguia em frente sem parar Cruzava outros caminhos. Gerindo tempo sem quebras No pico redondo ia passar Até ao pico das pedras Pico redondo, doce paisagem Enche o olho e enche o lenço -Ai… como eu me lembro dela!… Víamos a Ponta de são Lourenço Entre passarada e ramagem Também se via a Portela. E sabes o que eu penso? Um miradouro, nessa paragem Trazia clientela. Aquela Cova da Roda Sobranceira ao Faial Já está fora de moda A meio do matagal Outrora bem visitada Pelas gente’s do Funchal Se agora está parada É que algo corre mal Espero que m’entendas… Pousar naqueles cantinhos Num parque de merendas Junto aos passarinhos Era a melhor das prendas Quem não deve não teme És um barco de esperança Marujo que tenes leme Lá m’inspira confiança Vê se o barco não treme Pode não haver bonança