Ao observarmos a retenção das memórias de longo prazo, qualquer episódio vivenciado de forma violenta é absorvido, registado e perpetuado no cérebro. Assim sendo, querendo perpetuar memórias, as experiências deverão ser condicionadas de forma a envolver emoções fortes. Quando transmitidas por um emissor capaz de gerar alterações do estado emocional nos recetores, provocam um efeito memorável, sendo retido no indivíduo a impressão perpetuada. Por outro lado, fortes agressões físicas ou verbais, traumatismos ou acidentes dificilmente abandonarão as nossas memórias. Contribuem para estes factos a interação entre uma região do cérebro apelidada de cérebro límbico, e os tecidos neurais que registam as emoções desses eventos, causando ao indivíduo um aprisionamento dessas vivências. O cérebro receciona os estímulos com o apoio de nervos cranianos sensitivos interligados aos órgãos dos sentidos, assim como também as células somáticas registam eventos. É dessa forma que ao olharmos, ou ouvirmos determinadas situações, os registos gravados de situações passadas transmitem e reavivam sensações e emoções. As alegrias, os medos, os arrepios, até sensações de mal estar. Explica-se pela interação entre cérebro emocional límbico e o corpo físico que gravou a sensação vivida. Então qualquer cicatriz de ordem física ou emocional é reciproca a emocional torna-se física e a física torna-se emocional razão pela qual o ser humano é dissociável não existe mente e corpo separado mas sim, coexistem numa parceria dinâmica.

Ricardo Aguiar, Especialista em Exercício e Saúde / Osteopata