
Infelizmente, mais uma vez, debruço-me sobre a doença da saúde regional, pois são inúmeras as noticias que chegam a público e não consigo perceber esta ausência de procedimentos para a cura ou de como chegamos a este extremo de “doença”. Perante um “cancro” que cresce a olhos vistos, parece que se apenas se aplicam pensos rápidos. Não quero ser ou parecer injusta, pois estão todos, seguramente, a fazer o seu melhor, mas se assim é o que é está a faltar e a falhar? Talvez fosse importante tentar perceber em que momento neste percurso da nossa autonomia, deixamos de ser uma referência na saúde no contexto europeu e passamos a um estado lamentável da mesma. Que mudanças se operaram para que tudo ficasse pior? Quase todos os governantes e todos os responsáveis diretos da saúde tem sido médicos, por isso a desculpa de que não conhecem o sector e os seus problemas não é válida. Como é possível chegar ao ponto de faltarem medicamentos, instrumentos e materiais essenciais para a prática de cuidados e intervenções nos doentes? Como é possível, numa equipa, desvalorizar financeiramente uns “atores” para compensar outros, quando sabemos que uns não funcionam sem os outros? Como é possível adiar ou simplesmente não reparar equipamentos importantes para uma saúde de qualidade? (…?) Recentemente fui às urgências do hospital, onde as condições dos utentes não eram as melhores e era possível ver o “desespero” da equipe médica, pois tinham cerca de 20 doentes para internar no hospital dos Marmeleiros e simplesmente não haviam vagas. Diziam que cerca de 70 utentes internados são idosos e ocupam as camas, por não terem lugar em lares e as famílias não terem condições para os acolherem ou simplesmente porque foram abandonados à sua sorte. O Governo anterior, procedeu ao Despacho n.º 23/2015 que define as medidas destinadas a libertar o elevado número de camas ocupadas por utentes com altas problemáticas, mas infelizmente a saga continuou e continua. Sem ter conseguido chegar a um número concreto através das várias noticias publicadas e com referência a um relatório da ERS, um utente internado em hospital, sem necessidade de intervenções médicas, poderá custar aos contribuintes cerca de 300 euros por dia, o que perfaz cerca de 9000€ por mês (média 30dias).Num lar, e com base no apoio às instituições sociais, um idoso custa ao estado, 750€ mensais. Será assim tão difícil perceber-se, até do ponto de vista financeiro, que é extremamente lesivo para o Governo, ter estas pessoas no Hospital? Desculpem insistir com este tema, mas com a saúde não se brinca e precisamos de uma população saudável e com cuidados de Saúde apropriados. Lembrem-se igualmente que estamos numa região onde o turismo é um sector de extrema importância. Mesmo com eventuais seguros, quem nos visita, em caso de necessidade, recorre ao hospital. Que imagem queremos dar? Que cuidados queremos ter? P.S. – Homenagem: O Professor Ivo Nunes deixou-nos. Deixou-nos muitas coisas: a alegria das palavras, histórias bonitas e cheias de conteúdo e quase sempre com uma moral, uma visão sempre maravilhosa pela forma como agia e tratava todas as pessoas. Contagiava-nos com a vontade de ter mais conhecimento e de querer saber mais quando era nosso professor e amigo. Tive o privilégio de conhecer o Professor Ivo Nunes e vou guarda-lo para sempre no meu coração, pela pessoa maravilhosa que era. Foram muitas as vezes que me deu algum alento perante os desencantos da política. Foi um homem bom, pacífico e sempre com uma alegria contagiante, mesmo perante maus momentos. O Professor Ivo deixou-nos, mas deixou-nos só coisas boas. Até um dia amigo. P.S.- As notícias de mortes associadas à Violência doméstica assim como abusos sexuais a crianças com pedófilos que saem em liberdade, não param de chegar ao conhecimento do grande público. Que vergonha este país. Para quando medidas concretas?