José Teixeira Soube esta manhã da morte do Senhor Ângelo Paulos. O Senhor Ângelo como sempre o tratei. Não o esperava. Mesmo sabendo das suas fragilidades, das suas tristezas com a doença da mulher que tanto amava, não esperava vê-lo partir assim tão cedo e de forma tão repentina. É uma perda grande e uma grande pena minha. E dou por mim a pensar naquela conversa que, afinal, não tivemos. Porque fomos adiando sobretudo por minha causa, por ter muito trabalho e achar que ainda havia tempo. Agora não há. Acabou-se o tempo para essa conversa que se adivinhava de teor filosófico e saudosista. Conheci o Sr. Ângelo no final dos anos 80 do século passado. Lembro-me dos seus ‘sermões’ em jeito de manual de bons conselhos que dava a jovens como eu era na altura. Lembro-me dos seus ensinamentos e das suas recordações. Do seu espírito crítico e livre. Do seu tom de voz alto e autorizado, sem ser autoritário. Da sua ironia e dos seus grandes conhecimentos, que partilhava de igual para igual, sem se por em bicos dos pés. Também já não há tempo para voltarmos ao restaurante do Norte onde uma vez partilhámos uma espetada de que ele se lembrava ainda numa das últimas mensagens que trocámos, via Facebook. Já não há tempo. Mas há memórias. Boas memórias. E um respeito mútuo. Li muitos dos seus pensamentos nos textos que foi deixando publicados no Facebook. Partilhei da sua irreverência e da sua opinião madura e fundamentada. Das suas desilusões com a Política e alguns políticos. Da sua admiração sincera por um bom debate como os que acompanhava através da televisão e que frequentemente elogiava. O Senhor Ângelo era de facto um Senhor. Um Homem. Um político que nunca teve um palco à altura. Um pensador. Um filósofo. O Senhor Ângelo deve ser lembrado por isso tudo e sobretudo por ter sido um verdadeiro democrata. Um camarada!