Confesso que senti alguma nostalgia quando, ao abastecer o carro, apercebi-me que o gasóleo estava abaixo de um euro. Todavia, a emoção foi de pouca dura, no mesmo dia os noticiários só falavam do aumento de impostos sobre os combustíveis. Foram aumentados seis cêntimos por litro a nível nacional e, aumento desta dimensão, já não se via desde o governo de Guterres (ainda se lembra?), quando, no decorrer de Junho de 2000, a gasolina subiu 17 escudos e o gasóleo 15 escudos. Até não costumo ser pessimista, mas suspeito que a escalada dos preços para o consumidor final não fica por aqui, principalmente, por duas razões: a primeira é que as petrolíferas têm, historicamente, tendência para repercutir de imediato o aumento fiscal, dado que o IVA também sobe com o aumento do imposto. Como é que o fazem? Aumentando o preço. Em segundo lugar, existe sempre a possibilidade do petróleo inverter o ciclo de baixa e começar a disparar. O governo já se apressou a afirmar que admite aliviar o imposto sobre os combustíveis, caso este cenário se verifique. Qual é a minha preocupação? Simples… Histórica e “estranhamente”, o governo não costuma ser muito bom nesta coisa de cumprir promessas. Como cliente, espero estar enganado! As contas governamentais apontam para arrecadar mais 360 milhões de euros só em imposto petrolífero. Estou consciente que estas medidas enquadram-se com o compromisso que Portugal tem com Bruxelas. No entanto, julgo que já é tempo de aliviar o “garrote” e começar a estimular a economia até porque, os agentes económicos perante o aumento da carga fiscal vão cortar neste e noutros bens ou serviços. E, afinal de contas, o aumento da receita fiscal por via do aumento da quantidade de transações comerciais já merecia uma oportunidade!
Pedro Nunes Economista