O tempo em que vivemos é de imensa controvérsia relativamente à motivação das pessoas e ao seu envolvimento aos mais diversos níveis: familiar, profissional e social. Na verdade, verificamos um forte desânimo em muitas pessoas, quer pelas conversas a que assistimos, quer no que lemos nas redes sociais e na comunicação social. O mundo está em constante mudança, mudança esta que por ser tão acelerada, não nos dá o tempo necessário para assimilá-la, compreendê-la e até mesmo participar no seu processo conscientemente. As questões financeiras levaram a que as famílias se endividassem, que o desemprego e a corrupção aumentassem e que, no meio de todas estas desventuras, as pessoas se desinteressassem pelos valores fundamentais, entre os quais se destaca o gosto pelo trabalho. Mais do que ter motivação para o trabalho, é importante ter um propósito. Ter convicções fortes e colocar paixão naquilo que se faz.

Maslow defende que o homem se motiva quando as suas necessidades são supridas: segurança e necessidades fisiológicas; necessidades sociais; autoestima; e autorrealização. Sendo que as duas últimas são aquelas que mais contribuem para uma forte motivação para o trabalho. Se tivermos uma total ausência de autoestima, nunca iremos conseguir uma autorrealização, nem pessoal, nem profissional. Mas, para se atingir uma perfeita autorrealização é importante ter algo que nos mova. Se temos um trabalho que gostamos de fazer – mas também se aprende a gostar daquilo que se faz -, se temos objetivos muito bem definidos e dentro de uma estratégia a médio prazo, se temos competências para tal, se procuramos novas competências e saberes, se somos criativos e inovadores nas nossas práticas diárias, se integramos uma equipa com um ambiente laboral “saudável”, integrado numa cultura organizacional de qualidade, se temos líderes que nos apoiam/acompanham (promovem o coaching), nos estimulam e nos elogiam, que nos recompensam (meritocracia - algo que se vem perdendo ao longo dos últimos tempos na maioria das organizações), e nos dão constante feedback sobre os resultados do nosso esforço, e em caso de desmotivação, sabem diagnosticar os sinais, então, estão reunidas as condições para um bom desempenho e autorrealização pessoal. Baden-Powell (fundador do Escutismo mundial) argumenta: “se você acha que é possível ter uma vida perfeita, viverá em eterna frustração. Altos e baixos, alegria e tristeza, entusiasmo e decepção são partes integrantes da nossa existência. Lute sempre para melhorar e alegre-se com as suas conquistas. Muitas pessoas devem a grandeza das suas vidas aos problemas que tiveram de vencer.” Concluo este raciocínio com a ideia de que, cada um de nós, ao deixar este mundo, deveria fazê-lo com uma profunda alegria e satisfação por ter, também, deixado um legado, ou seja, algo de que se orgulhe e sirva de estímulo para os seus filhos e para a comunidade.

Carlos Gonçalves