Virgílio Santos Hoje, por motivos laborais, ambos os progenitores passam cada vez menos tempo em casa. Onde deixar então os filhos? Depois da família, a principal instituição educativa na sociedade é a escola. Daí ser pertinente neste momento estarmos a falar na escola a tempo inteiro até à escolaridade obrigatória. Além das atividades letivas curriculares (obrigatórias), existem, embora ainda em número reduzido, as atividades extracurriculares (facultativas) que oferecem aos alunos um outro tipo de expectativas: atividades que vão ao encontro das suas motivações pessoais. Destas, aquela que mais é requisitada pelas suas preferências pessoais é sem dúvida o desporto escolar! Ao longo dos anos, o aumento da carga horária letiva dos alunos tem sido um dos fatores para o aumento de comportamentos desvio e abandono escolar e sobrecarregá-los ainda mais com atividades letivas seria um erro inadmissível. A solução, baseada na minha experiência de cerca de 20 anos (sempre na mesma escola!), passa pelas atividades extracurriculares, com prioridade no desporto escolar. A obesidade e a inatividade física são argumentos também importantes para justificar esta aposta. Crianças sedentárias e obesas serão adultos doentes, com duas consequências graves: despesas elevadas no setor da saúde e diminuição da capacidade produtiva (ausência ao trabalho). Um destes dias, na conversa com um amigo economista, compartilhava com ele que uma das medidas mais indicadas para sair desta crise era reduzir a despesa! Quanto pouparia o governo se apostasse (finalmente) na formação desportiva na escola, com a criação do clube desportivo escolar? Muito há a fazer nesta área, e quando se fala na escola a tempo inteiro, uma das estratégias passa por uma mudança radical no paradigma da formação desportiva, para bem da escola e do crescimento harmonioso das crianças.