MAC Andrade A Câmara Municipal de Machico procedeu ao corte de uma árvore (tipuana) que já estava seca, apesar de ainda relativamente jovem, na Rua do Ribeirinho, no tratuário adjacente à cave do Edifício Paz. Mas sugiro que proceda de igual modo em relação às restantes sete, da mesma espécie, que lá se encontram. Porque estão a rebentar a parede de suporte da rua; e as raízes estão já a provocar irregularidades no piso do tratuário.
Aquele é mais um exemplo de árvores plantadas sem reflectir nas consequências. Pois a largura do referido tratuário não é suficiente para aquela espécie arbórea, cujo tronco e copa atingem dimensões consideráveis, assim como as raízes. Veja-se, por exemplo, aqueles exemplares desta espécie, plantados na segunda metade dos anos quarenta do século vinte, na Avenida Zarco, no Funchal.
Talvez que no suprarreferido tratuário seja adequado plantar exemplares de uma das várias espécies de palmeiras tropicais, de caule fino, disponíveis em viveirista na Madeira, ainda que não surtam um bom efeito para sombra, nem uma bela floração como a tipuana.
Também foi cortado um jacarandá no jardim do Solar do Ribeirinho, por estar seco – talvez devido a alguma doença. Era uma árvore de belo porte, que se cobria de lindas flores, de finais de Abril a fins de Maio. E já tinha uma idade considerável – talvez cerca de 100 anos. Várias gerações tiveram o prazer de contemplá-la.
Agora seria desejável que fosse lá plantada um outra da mesma espécie, caso não haja inconveniente ou contra-indicação sob o ponto de vista fitopatológico. Como alternativa poderá ser uma magnólia. De momento não me ocorre outra, a não ser um barbuzano ou um til.
Parabéns à Câmara Municipal de Machico por ter metido mãos à desmatação da ribeira e, ao que me parece, com critério acertado. E sobretudo à eliminação de jovens benjaminas (figueiras da índia), que brotavam dos interstícios das pedras da muralha; assim como outras plantas; e ao arranque das jovens acácias, tabaqueiras e caniços no leito da ribeira. Deixando manchas de diversas plantas herbáceas que constituem parte do alimento e abrigo dos numerosos patos e galinhas d’água que nela (ribeira) vivem. Bem como os belos pés de plantas de inhame, que não oferecem qualquer perigo ou inconveniente e valorizam o aspecto estético daquele curso de água. De certa forma, estes são peças museológicas (mas vivas) representativas de um cultivo muito apreciado e importante que contribuía para a dieta alimentar dos nossos antepassados, entre os meses de Dezembro e maio, consoante as povoações e altitude a que eram cultivados. Havia os de sequeiro e os de água (em lagoas próprias ou por entre vimieiros), sendo que em todo o vale de Machico prevalecia o inhame d’água; e havia três ou quatro variedades no meu tempo de juventude.
A ribeira era quase toda ela marginada por lagoas de inhame ou de vimes e inhame. E igualmente os ribeiros. Nos anos quarenta e cinquenta do século vinte, os sítios mais destacados nesta cultura, de montante para jusante da ribeira, eram os de : Maroços; Ribeira Grande; Moinho da Serra; Poço do Gil; Paraíso; Torre; Serra d’Água; e Graça. Mas a aluvião de 3 de Novembro de 1956 foi um ponto de viragem desta realidade. Quase tudo desapareceu.
Os meus avós maternos, José Teixeira Galú e Maria Cândida Gomes – a quem devo muitíssimo – naturais e residentes no sítio da Torre, e depois na Rua da Estacada ao sítio da Vila, contavam-se entre os maiores produtores de inhame de Machico.