Fomos ao final da tarde de sexta feira, foi mais uma das viagens que fiz como dirigente, chefiando uma selecção da Madeira, com 16 jovens dos dois sexos, e o objectivo era a participação num corta mato entre Associações Nacionais que iria decorrer na cidade do Porto.
Saímos da Madeira, com algum atraso e sob chuva torrencial que, com maior ou menor incidência vinha a cair há largos dias na Região. A viagem e a chegada à Cidade Invicta decorreu normalmente e as acomodações com o frenesim habitual nos jovens quando estão em grupos e fora de casa.
Na manhã do sábado e após o pequeno almoço, em contacto com a família já começavam as notícias inquietantes, a chuva diluviana continuava, as inundações começavam em tantos locais, árvores e troncos por todo o lado, os caudais das ribeiras a subirem vertiginosamente, enfim o que todos sabemos.
Depois de pedir a todos os elementos da comitiva para contactarem as respectivas famílias, a preocupação foi aumentando especialmente porque dois atletas residentes na Ribeira Brava não conseguiam ligação aos familiares e as notícias vindas da zona do mercado no Funchal, não eram nada animadoras, onde tenho o meu local de trabalho e com dois familiares a trabalharem no Anadia. Entretanto começamos a ver os directos das televisões e a cada minuto passado a agonia aumentava pois o cenário de tragédia cada vez mais se adensava e já nem se conseguia falar ao telemóvel o que intranquilizava ainda mais a comitiva.
Após o almoço (mal comido pela maioria) lá fomos para as provas e escusado será dizer que a preocupação essa, estava a quase 1200km de distância.
Mesmo sabendo a realidade e psicologicamente afectados, ninguém entrou em pânico e foi de louvar a entreajuda e o apoio entre todos, tendo eu estado permanentemente a apoiá-los e ajudando a desanuviar o pesado ambiente.
Todos competiram, deram o seu melhor e eu sempre (quando as linhas telefónicas permitiam) em contacto para a Região.
O regresso à Madeira, já na madrugada de domingo fez- se normalmente e depois de deixar três elementos nas respectivas residências e saber que todos os outros já estavam com os seus familiares, lá cheguei a casa após as três da manhã.
E assim, com dois elementos da comitiva com partes das suas casas danificadas, eu, com as instalações do meu trabalho inundadas e destruídas , já estava na minha terra.
Passaram seis anos desde a maior tragédia que aconteceu na nossa Região e deixo aqui uma palavra de conforto àqueles que perderam familiares e amigos.
Optimista por natureza, depois disto, resta-me dizer que sejam felizes, pratiquem exercício físico, façam desporto e lembrem-se que o melhor das nossas vidas ainda está para vir.
Egídio Olim