Malassadas com mel para o “Rei” Portugal tem um novo presidente, eleito à primeira volta que emergiu por entre as cotoveladas de toda uma esquerda órfã, desquitada e que se auto-mutilou profusamente. PS e PCP saem humilhados, sobretudo aquela facção de Seguro, que do pouco que havia, foi agora atirado ao lixo. Aliás, esta vitória é mesmo de Marcelo, pessoal, onde nem sequer o actual PSD de Passos nem se reviu animadamente nesta candidatura. Melhor para o “Prof. Rebelo de Sousa”, que nessa simbiose, é devedor de Coelho. O PCP retocou o “nosso” Edgar, mas Edgar não descolou. Num outro campeonato da ala esquerda, Marisa bateu-o consolidando a crescente influência do BE, e, Jerónimo acusou o toque com fel e deselegância sexista, ao nível do piropo político. Na região, Marcelo sem surpresas, “arrasou” ficando secundado pelo “nosso” combativo Edgar da Madeira, sendo bem merecida a prata deste pódio local, à laia de prémio-consolação do desaire nacional. No fundo, toda a esquerda foi perdedora, pois não conseguiu forçar uma segunda volta. Todos se agitaram em bater em Marcelo, mas Marcelo quedo e ledo, a todos bateu sem se “mexer”. Entretanto Albuquerque que coabitou com Jardim na contida arruada a Marcelo, amealha mais uma vitória. Já soma três. Funchal-fantasia O presidente da Câmara do Funchal, com 10 milhões de euros emprestados da banca, iniciou o ano com nova energia. Não se pense que finalmente o Funchal vai conhecer (após dois anos perdidos), investimento e trabalho efectivo em prol dos seus munícipes. Não! A energia reorientou-se de forma escancarada, para a reeleição nas eleições autárquicas do próximo ano. Em termos práticos apenas reforçou-se a componente da propaganda, num exercício puro e duro de autopromoção despudorada. Os slogans, os novos logótipos, acrónimos e as “webletters” expedidas do domínio do próprio município, a juntar aos suplementos publicitários pagos nos media, são a face visível do culto da personalidade, que faz lembrar os tempos, daquilo a que se convencionou chamar de “propaganda do regime jardinista”. Quem não se lembra de ver os mesmos partidos que agora seguram a “Mudança” pelas peles, a se queixarem destes expedientes no tempo de Jardim? Ao menos Jardim, tinha e deixou obra materializada (útil e inútil), para publicitar. (E provavelmente as “memórias de Jardim” serão publicadas com a chancela desta câmara “geringonçada” da “Mudança”, com toda aquela contida família coligada, a morder sofridamente os lábios). Esta governação municipal caracteriza-se por uma enorme sopa de letras de programas sem substância alguma, além do néon psicadélico que acompanha cada “flop” em que se especializou gerar, tendo o último mito se espalhado, ao longo do “desfecho” da icónica Rua Dr. Fernão de Ornelas. Só que as palavras cansadas de tanto serem marteladas, têm curta duração quando não correspondem a algo de concreto e palpável. Daí que há que saltar a cerca, e tentar imitar à laia de “emplastro”, com a cábula “wikipédica” a tiracolo, os demais governantes nas suas áreas específicas: turismo, segurança social, e quaisquer áreas da governação, etc. Não basta ser boa a estratégia, e ter o faro da oportunidade, quando a ideia que passa, se reduz à vã tentativa de ser laçado pelo reboque alheio. Pesadelo disfarçado de sonho A Comissão Europeia e as agências de notação financeira pressionam o governo português, ao dinamitarem o esboço do Orçamento de Estado, que como se sabe, é submetido ao visto prévio dos crânios não-eleitos da Europa. A nossa governação está mesmo centrada em Bruxelas, seja qual for o nosso voto. O cerco vai forçar a elasticidade e resistência dos periclitantes acordos da actual maioria de esquerda no parlamento português, conhecida como a “geringonça”. Como sempre, forças “patrióticas” no nosso parlamento, já salivam pelo cheiro a poder que dali exala, temperado por revanchismo. A crise dos refugiados na Europa, que continuam a sucumbir ao desespero da sua desenfreada migração, desperta acções e reacções pouco simpáticas nomeadamente da Europa - dita civilizada - do norte. E à Grécia foi imposto mais um limite temporal, para gerir as suas fronteiras, ou ficará apartada do “Espaço Schengen”, a somar aos demais controlos entretanto activados noutras paragens. A Polónia endurece o controlo sobre os “media”, tal como outros governos ultraconservadores que tingem de negro o mapa europeu. E a vizinha Espanha que é um motor das nossas exportações, ainda não tem governo. A Europa parece alegremente se precipitar, a uma reedição de passados de má memória. A verdade “samba” desnudada Soube-se há poucos dias, que os clientes europeus da construtura alemã VW, serão negativamente discriminados relativamente aos clientes da América do Norte. Se alguém tinha dúvidas, de que quem manda na Europa é a Alemanha, que ligue o “desembaciador”. Na Venezuela pátria de muita da diáspora madeirense, a convulsão política e económica mantém a apreensão e dificuldades na população, a que as últimas eleições, para já, ainda não contrariaram. Ainda mal refeitos da última crise financeira mundial, que nos atirou ao buraco de onde ainda nem saímos, há quem fale que vem já outra crise a caminho, com o adormecimento das economias emergentes e do “crash” bolsista chinês. Mas a crise, é profundamente selectiva, pois segundo o relatório “Global Wealth Report-2015” do Crédit Suisse, no ano passado, apenas 1% da população mundial detinha tanta riqueza, como os restantes 99%, sendo que a crise de 2008 alavancou essa abissal clivagem entre ricos e pobres, como o crescimento dos principais índices bolsistas europeus e norte-americanos. À conta disso florescem os dramas e conflitos mundiais, e as agressões ambientais. Dessa residual percentagem que acumula toda essa riqueza, não haverá provavelmente nenhum pistoleiro na prisão, por assaltar tanta diligência. E Davos olha para o umbigo. Esta nossa casa está desarrumada, e aqueles 1% nem querem saber, como é que “nós” existimos. O carnaval está mesmo aí.

Donato Macedo Lic. em Comunicação