Por estes dias discutíamos a identidade e competitividade do nosso território insular. O debate levado a cabo pela Associação Insular de Geografia suscitou-nos sobretudo questões.

Como ser competitivo sem deixar de ser genuíno?

Como estar em pé de igualdade mantendo a autenticidade?

Como desenvolver sem estragar?

Como atrair investimento sem comprometer o futuro?

Como ter notoriedade sem afectar a qualidade?

Como vender um destino sem dispensar a alma?

Como fazer corresponder o embrulho com o produto?

Como ter mundo, que a muitos faz falta, sem perder referências e a ligação às origens?

Como praticar lobbing sem hipotecar valores?

Como continuar a ser ilha e ilhéu sem enveredar pelo provincianismo e pequenez, sobretudo quando esta é mental, que atrofia a criatividade?

Não. Não chega ser o melhor destino do mundo, triplicar a estrelas Michelin e aplaudir com agrado a subida do Revpar para sermos felizes.

Não basta ter como conterrâneo o melhor jogador do mundo, o Ronaldo craque e embaixador, para sermos apetecíveis do ponto de vista do investimento estrangeiro.

Promover umas vistosas fam trips e uns atrevidos posts no facebook não é suficiente para compensar a incontornável ultraperiferia.

Ter um Centro Internacional de Negócios, mal amado por detractores e instrumentalizado por amadores, não é sinónimo de autonomia financeira garantida.

Apregoar autonomia fiscal não nos safa de um drama, o de sermos reféns anuais do jogo político que se exprime sem vergonha no Orçamento de Estado.

Sustentar com o dinheiro dos impostos que nem todos pagam um parlamento de duvidosa utilidade e um autonomia política intermitente não nos tem garantido melhor qualidade vida, visão estratégica e ideias sustentáveis.

Não basta ter 7 em cada 10 madeirenses a usar internet para sermos exemplares na tecnologia e inovação, um caso sério no mundo das startups e com estofo para tornar real uma qualquer Brava Valley.

Ter uma Universidade não significa que por si só esteja acautelado o conhecimento, o rumo, a educação para a dialéctica e a capacidade de raciocínio?

E lucidez? E o saber fazer? E coragem?

A Madeira é uma região que recebe bem, dá cartas no Turismo, deu um salto no nível de vida, mas que regista debilidades relacionadas com o seu potencial de competitividade. Em parte dada a sua condição insular. Mas também à conta da inveja, da mesquinhez e da presunção.

É por isso que nos dá orgulho termos talento de fartura premiado em várias frentes e artes. De que estamos à espera para juntar o que anda disperso, todo este brilho e mérito de modo a ganharmos escala, mundo e respeito?