A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome na Madeira disse hoje que as doações nas campanhas solidárias têm vindo a diminuir na Região, mas a instituição prevê, este ano, ultrapassar as 500 toneladas de alimentos distribuídos no arquipélago.

“As campanhas têm tido uma participação massiva dos cidadãos que nos ajudam e esta é já a oitava campanha do Banco Alimentar desde a nossa existência” na Madeira, afirmou Fátima Aveiro à agência Lusa, no âmbito de mais uma ação de recolha de alimentos que decorre este fim de semana também na Região e envolve cerca de 2.000 voluntários.

Esta campanha do Banco Alimentar, intitulada “Partilhar sabe bem”, acontece em todo o território nacional na altura em que a instituição assinala os 25 anos em Portugal. Na Madeira está implementado desde 2012.

“Este ano vamos ultrapassar as 500 toneladas de alimentos distribuídos”, declarou, apontando que se for atribuído um valor monetário a estes produtos angariados, “ao longo destes quatro anos, o BA já distribuiu alimentos no valor de dois milhões de euros”.

Fátima Aveiro reforçou que este montante “dá uma média de meio milhão de euros por ano”, o que, no seu entender, “é um valor bastante significativo”, considerando que estes resultados “são satisfatórios”.

Destacou que representa o “fruto do empenho de todos, doadores, instituições e equipas do Banco que, neste momento, está a apoiar cerca de 9.000 pessoas na Região”, através de 52 instituições.

A presidente do BA na Madeira realçou que os “madeirenses têm dado provas de solidariedade”, apesar das “tempestades e calamidades que têm atingido a Região”.

Mas apontou que se tem verificado “uma diminuição nas doações”, recordando que 2013 foi um “ano recorde” para o Banco Alimentar com a recolha de cerca de 100 toneladas e que tem vindo a baixar, situando-se nas 32 toneladas na última campanha realizada em maio deste ano.

Contudo, Fátima Aveiro realça que “a doação das empresas, supermercados e alguns doadores particulares têm vindo a aumentar”, sendo que “cerca de 80% daquilo que o Banco distribui diariamente tem crescido, o que dá para compensar um pouco esta descida dos bens não perecíveis recolhidos nas campanhas”.

“Embora não tenhamos pessoas que passam o que se chama tecnicamente fome, temos pessoas que têm carências alimentares e é sempre preciso reforçar a ajuda”, conclui.

Depois de entregar um saco com a sua doação ao BA num dos supermercados do Funchal, Lídia Becker declarou que participa todos os anos nas campanhas de solidariedade “seja para pessoas, seja para animais”, defendendo ser “importante que as pessoas se ajudem umas às outras”.

Porém, opinou que “é sempre o Zé Povinho que ajuda o Zé Povinho” e defendeu a necessidade de “mais ajudas por parte das entidades”, sobretudo “nesta época de Natal, em que até o mais mesquinho é capaz de ser solidário”, rematando: “Temos é que libertar o nosso interior de bondade”.

Com 15 anos, Ricardo Freitas estava no armazém do BA da Madeira e disse que é “costume participar” porque considera ser “uma forma de ajudar os mais necessitados e de encarar a realidade: que há pessoas no mundo que necessitam destes alimentos”.

Lucília Casimiro é outra voluntária, que destaca que “o madeirense está sempre pronto a ajudar e cada vez há mais pessoas que participam nestas campanhas”.

“Todas as campanhas são bem-vindas”, sustenta Nuno Figueira, um outro voluntário que participa nesta ação porque se sente “útil” e considerando que, embora existam muitas iniciativas de solidariedade, “o importante é que o produto chegue a quem mais precisa e há cada vez mais pessoas a precisar”.

Entretanto, chegou ao armazém do Banco Alimentar mais uma carrinha carregada de doações de um dos 32 supermercados onde decorre a campanha, que é descarregada e os produtos separados e acondicionados pelas dezenas de voluntários, entre os quais militares e escuteiros, em apenas alguns minutos.