Ao cabo de 23 anos como Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Machico (SCMM) e na antevéspera de enfrentar pela primeira vez oposição na disputa pelo cargo, Luís Delgado ‘inaugurou’ ao final da tarde a extensão do Centro Médico – Espaço Cidadão no reabilitado edifício do antigo centro de saúde do Porto da Cruz, propriedade da SCMM.

O ‘reaparecimento’ público do recandidato envolvido em acesa polémica foi aproveitado para enviar recados e denuciar os que tentam o “assalto destemido ao poder da Santa Casa”.

‘Apadrinhado’ por várias figuras do PS e da Igreja machiquense, Luís Delgado lembrou que “contra tudo e contra todos isto está acabado”, referindo-se à recuperação do prédio ainda a cheirar a tinta fresca, e que já amanhã, prometeu, entrará em funcionamento.

No discurso de improviso, o Provedor não resistiu à indiscrição de revelar que chegou a telefonar ao secretário Sérgio Marques para propor serviços da ‘loja do cidadão’ nesta extensão da SCMM no Porto da Cruz, e já depois das “negociações perfeitamente concluídas” disse que Luís Lomelino telefonou-lhe a dar conta que “o processo estava suspenso”, alegadamente devido à polémica vinda a público por causa da sua recandidatura. Queixou-se do recuo do Governo, porque “quem sai prejudicado é o povo”, lembrou, e alertou para a gravidade que assola a instituição de referência como é a Misericórdia de Machico, que teme “seja prejudicada por uma ganância terrível de assalto ao poder para tomar conta da instituiçã”, acusou. Contestou ainda aqueles que querem fazer da SCMM “arma de arremesso”, apelando aos seus opositores que ao menos “tenham o bom-senso de não estragar o que está feito”.

Entre os muitos elogios distribuídos à generalidade dos presentes, também não esqueceu os amigos Alberto João Jardim e o juiz Sílvio Sousa, que foi quem o aconselhou a “estar calado que nem um rato”, disse.

O recandidato a mais quatro anos como Provedor, garantiu de resto que “não é preciso destruir a SCMM para mandar o Delgado para casa”.