O piloto alemão Nico Rosberg, que há cinco dias se sagrou campeão do mundo de Fórmula 1 pela Mercedes, anunciou hoje a sua decisão de pôr termo à sua carreira.
“Em Suzuka [Japão], quando se perspetivava a conquista do título mundial, comecei a pensar em abandonar a competição automóvel se me sagrasse campeão (...). Tomei a minha decisão na segunda-feira à noite, depois de ter refletido durante o dia”, divulgou o piloto através da rede social Facebook.
Rosberg, de 31 anos, justificou a decisão com a vontade de dedicar mais tempo à família, admitindo que a sua ausência pode criar dificuldades à escuderia alemã.
“Desde que comecei a correr, há 25 anos, o meu sonho foi sempre tornar-me campeão de Fórmula 1. Persegui este objetivo trabalhando duro, com sacrifícios, com dor. Agora atingi esse objetivo e sinto-me satisfeito”, acrescentou Rosberg, que se encontra em Viena para a gala da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
Rosberg tornou-se no domingo, em Abu Dhabi, o 33.º campeão mundial da categoria rainha do desporto automóvel e o terceiro alemão, num total de 12 títulos conquistados por pilotos germânicos apenas nos últimos 23 anos - mais de metade -, sete pela mão de Michael Schumacher e quatro pela de Sebastian Vettel.
Rosberg apenas precisava de terminar no pódio para suceder ao pai, o finlandês Keke Rosberg, campeão mundial de F1 em 1982, independentemente do resultado de Hamilton, e o alemão manteve-se sempre no controlo das operações, mesmo quando Hamilton tentou uma manobra a roçar o desespero.
O britânico, que tinha partido da ‘pole position’, desobedeceu reiteradamente às ordens da equipa para acelerar na fase final da prova e, pelo contrário, reduziu a velocidade, mas mantendo-se sempre a salvo de uma ultrapassagem de Rosberg, que deitaria tudo a perder.
A estratégia do campeão cessante tinha como objetivo permitir a aproximação de Vettel (Ferrari) e do holandês Max Verstappen (Red Bull) e colocar Rosberg sob pressão, mas o alemão nunca esteve em risco, graças também à superioridade do Mercedes, que já tinha assegurado o título de construtores com grande antecedência.
“Estou muito orgulhoso por ter conseguido a reeditar o feito do meu pai”, confessou Rosberg, que se tornou o segundo filho de um campeão mundial de F1 a seguir os passos do pai, depois do britânico Damon Hill, filho do bicampeão Graham Hill (1962 e 1968), em 1996.
Rosberg cruzou a meta a 439 milésimos de Hamilton, que chegou ao 53.º triunfo da carreira e ao 10.º neste ano, ainda que tenha poucas razões para o festejar, enquanto Vettel completou o pódio, depois de ter terminado a 843 do vencedor.
