Um grupo de 80 académicos e economistas venezuelanas criticaram hoje a falta de indicadores económicos oficiais e acusaram o governo de colocar em causa a credibilidade do país e a capacidade de atrair investimento.
Num comunicado hoje divulgado em Caracasm, os economistas dizem estar na “obrigação” de oferecer “impressões orientadoras, de pertinência não objetável para esclarecer as razões” do contexto que levou a economia venezuelana a ser “classificada pelos mercados financeiros internacionais como um dos contextos de maior risco do mundo”.
“A classificação de crédito internacional que coloca a Venezuela como um país não apto para receber financiamento voluntário provém da terrível leitura da crise e não da imaginação ou esforços dos académicos e investigadores, que, advertiram com antecipação os problemas associadas à errática gestão da economia”, explicam.
Segundo os académicos, desde 2013 que a Venezuela está em “crise económica, estrutural e profunda como resultado de um conjunto de decisões políticas dirigidas a destruir a ordem económica interna e as leis mais elementares” que regem as economias modernas.
Por outro lado explicam que a política pública venezuelana foi esvaziada do conteúdo racional, deixando “a economia numa condição de extrema vulnerabilidade que se expressa em descomunais desequilíbrios macroeconómicos”.
“A oferta de bens e serviços terminou por ser afetada pelos prolongados e exacerbados controlos (de preços), intervenções de propriedades e distorções reguladoras, fazendo que o país seja mais dependente das importações. O crescente desequilíbrio externo traduz-se num severo racionamento de divisas (moeda estrangeira), numa redução e paralisação das atividades produtivas”, afirmam.
Para os economistas, este “quadro crónico-deficitário nas finanças públicas” levou a uma exorbitante elevação da dívida pública a níveis não sustentáveis.
“Uma economia exposta a tais desequilíbrios inevitavelmente termina experimentando uma implosão, com cada vez mais elevadas taxas de inflação, severos problemas de produção e abastecimento, e um deterioro generalizado da qualidade e quantidade de bens e serviços”, afirmam.
“Por razões desconhecidas o Governo decidiu não publicar as estatísticas económicas, sabendo-se no entanto que desde há pelo menos dois anos a Venezuela exibe a taxa de inflação mais alta do mundo e regista 11 trimestres consecutivos de contração económica, com uma expetativa de uma queda do PIB superior a 10% e que a escassez (de produtos) converteu-se num fenómeno crónico e esgotador para os setores mais vulneráveis da população (35%)”, acusam.
A agravar a situação, a petrolífera estatal PDVSA teve de pagar quase 18 mil milhões de dólares a credores internacionais, alertam os economistas, que lamentam a crise política no país.
“O inflamado conflito (político) não ajuda a construir um clima de confiança, desvia a atenção das autoridades e descarrila os esforços públicos e privados para encarar a crise económica”, avisam
