O primeiro-ministro defendeu hoje que o Governo conseguiu resultados onde o anterior falhou, caso do défice, e afirmou que a única pessoa presente no discurso do líder social-democrata é ele próprio e o fantasma do seu executivo.

António Costa falava no encerramento do debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2017, num discurso em que na parte final se referiu à intervenção que momentos antes fizera o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.

“O mais extraordinário do discurso do doutor Pedro Passos Coelho é que durante 20 minutos da sua intervenção não falou uma única vez sobre pessoas, nem sobre empresários, idosos ou jovens. A única pessoa que existe no discurso de Pedro Passos Coelho é ele próprio e o fantasma do seu anterior Governo”, declarou, recebendo palmas da bancada do PS.

Numa nova crítica ao líder do PSD, António Costa considerou que Pedro Passos Coelho, no discurso que antecedeu o seu, ao longo desses 20 minutos de intervenção, “não apresentou uma visão estratégica, nem uma ideia para o país”.

“É por estas e por outras que a credibilidade da direita se esvai em cada dia que o diabo teima em não aparecer no país. O diabo é mesmo só o sonho do PSD, cuja estratégia de sucesso é só esperar pelo insucesso do país”, disse ainda o primeiro-ministro, perante protestos na bancada social-democrata.

Neste contexto, António Costa advogou ainda a existência de uma contradição entre o que defendem publicamente PSD e CDS-PP hoje, em comparação com os resultados verificados pelo anterior executivo entre 2011 e 2015.

“Como podem criticar a eliminação progressiva da sobretaxa de IRS ao longo de 2017 quando fizeram um aumento brutal de impostos - um aumento que só em IRS foi de 3200 milhões de euros? Como podem falar de pensões, que em 2017 aumentam 200 milhões de euros, quando ao longo de quatro anos cortaram 150 milhões de euros no complemento solidário para idosos e ainda cortaram aos pensionistas 1200 milhões de euros - a receita da contribuição extraordinária de solidariedade (CES)?”, questionou o líder do executivo.

António Costa atacou igualmente o PSD e CDS por alegada incoerência no que respeita ao seu discurso político, dizendo que sociais-democratas e democratas-cristãos “dizem tudo e o seu contrário”.

“As segundas-feiras de manhã dizem que o PS está capturado pelo radicalismo do Bloco de Esquerda e pelo PCP, mas na segunda-feira à tarde já são o Bloco de Esquerda e o PCP que estão domesticados pelo PS. Às terças-feiras de manhã dizem que este Orçamento do Estado é eleitoralista, mas na terça-feira à tarde já dizem que é austeritário”, declarou.

Nos 30 minutos de tempo disponível para discursar, as bancadas do PSD começaram a revelar alguma irritação com o quando António Costa se referiu aos previsíveis resultados do défice no final deste ano e dirigiu depois uma série de agradecimentos ao estilo de uma cerimónia de entrega de prémios no futebol ou no cinema, começando pelo seu ministro das Finanças, Mário Centeno, e terminando nos parceiros sociais.

“Vamos conseguir em 2016 o défice mais baixo da democracia portuguesa. Conseguimos o que vocês [PSD e CDS] falharam após quatro anos de Governo”, sustentou o primeiro-ministro, recebendo palmas da bancada do PS.

A seguir, António Costa tirou a conclusão: “Sim, havia alternativa, uma alternativa que não era o corte de direitos, de pensões e de salários. O caminho alternativo é o que estamos a prosseguir e vamos continuar a prosseguir”, acentuou.

Após congratular-se com os resultados alcançados pelo seu executivo ao longo do último ano, o primeiro-ministro surpreendeu depois parte dos deputados ao pedir então permissão para deixar publicamente uma série de notas de louvor.

“Em primeiro lugar ao senhor ministro das Finanças e sua equipa; um agradecimento também a todos os membros do Governo porque todos funcionaram em equipa para podermos ter uma execução orçamental que nos honra”. Referiu.

Mas o primeiro-ministro ainda foi mais longe, deixando igualmente “um agradecimento às deputadas e deputados da maioria parlamentar pela confiança que deram ao Governo”.

“E um agradecimento ainda a todos os parceiros sociais, cujo esforço de concertação foi essencial para que Portugal tivesse este ano paz social”, acrescentou, perante as palmas da bancada socialista, risos nas restantes bancadas da esquerda e protestos nas bancadas da oposição.