As autoridades venezuelanas concederam, sábado, liberdade condicional sob regime de apresentação periódica e com tratamento psiquiátrico obrigatório para a farmacêutica Araminta González, anunciou o seu advogado, José Vicente Haro.
“Finalmente, a sua liberdade, sob regime de apresentação e devido ao último relatório médico, muito delicado, que foi considerado pelo Ministério Público”, anunciou o advogado na sua conta no Twitter.
Araminta González foi detida em 2014 e acusada de se ter associado com o politólogo luso-descendente Vasco Da Costa para alegadamente desenvolver engenhos explosivos caseiros durante os protestos violentos contra o Governo de Maduro, factos que ocorreram no primeiro semestre desse ano.
Segundo o seu advogado, a alteração do regime de detenção tratou-se de uma medida humanitária, de “muito baixo perfil”, tratada com o Ministério Público.
“Depois de uma lamentável terceira tentativa de suicídio, em agosto, Araminta esteve em terapia intensiva. Solicitámos a sua liberdade sob regime de apresentação periódica para que receba o seu tratamento médico psiquiátrico, sob internamento, nas melhores condições possíveis”, explicou o advogado.
Entretanto, continua detido, desde 24 de julho de 2014, o luso-descendente Vasco da Costa, 58 anos, filho de um antigo vice-cônsul de Portugal em Caracas, acusado de estar relacionado com a farmacêutica, que diz não conhecer.
Segundo a irmã, Vasco da Costa encontra-se no cárcere de Guárico (centro do país) e foi acusado dos crimes de terrorismo, associação para cometer delito com fins de terrorismo, fabrico ilegal de explosivos para fins terroristas e ainda do crime de ocultação de munições.
“Este caso é uma injustiça. Noutros casos há ações violentas, pessoas que queimam algo, mas neste caso não há absolutamente nada, nem terroristas, nem bombas, nem podia haver associação para cometer delito”, disse a irmã à agência Lusa.
Vasco da Costa participou como candidato, nas eleições parlamentares de 06 de dezembro último, sem no entanto obter votos suficientes para ser eleito deputado.
A sua candidatura teve o apoio do partido Nova Ordem Social (NOS), liderado pela luso-descendente Venezuela Portuguesa da Silva.
