O opositor ao regime cubano Luis Posada Carriles, acusado de terrorismo em Cuba, considerou “injusto” que Fidel Castro tenha morrido no “melhor hospital” da ilha e “tão tarde”, aos 90 anos de idade.
O ex-agente da CIA (serviços secretos dos Estados Unidos), condenado por terrorismo em Cuba, participou no sábado, em Miami, no estado norte-americano da Flórida, nos festejos pela morte do líder histórico da revolução cubana, na sexta-feira.
Segundo o jornal El Nuevo Herald, Posada Carriles, de 88 anos, diz que só “ao princípio” sentiu “alegria” por saber da morte de Fidel Castro, notícia que esperava há muito.
“É uma morte injusta. No melhor hospital de Cuba, com os melhores médicos e os melhores medicamentos. Não era isso que deveria ter-lhe acontecido”, afirmou.
Posada Carriles reconheceu que quis matar Fidel Castro várias vezes, mas “o destino” não o permitiu.
“Castro procurava a oportunidade para me matar e eu para o matar a ele”, afirmou.
Posada Carriles é considerado um dos maiores inimigos do regime comunista cubano.
Em 2000, Fidel Castro, ainda no poder, denunciou um plano que visava acabar com a sua vida no Panamá, onde participava numa cimeira dos países ibero-americanos.
Posada Carriles foi detido, por causa disso, no Panamá, mas foi depois contemplado com um indulto da então presidente do país, Mireya Moscoso.
Depois de libertado, entrou nos Estados Unidos, em 2005, de forma ilegal e chegou a ser julgado no Texas, mas foi absolvido, vivendo desde então em Miami.
Segundo documentos desclassificados do Departamento de Estados dos EUA, Posada Carriles foi agente da CIA, à conta de quem viajou por diferentes países da América Latina.
Cuba e Venezuela consideram-no o autor intelectual de um atentado contra um voo da companhia aérea cubana, em 1976, em que morreram 73 pessoas, e pedem a sua extradição para ser julgado por terrorismo.
Posada Carriles (cubano naturalizado venezuelano) chegou a estar preso na Venezuela por causa do atentado contra o avião, mas fugiu da prisão em 1985, usando um disfarce e um documento falso.
O seu nome também foi ligado a várias bombas que explodiram em hotéis cubanos na década de 1990 e mataram um italiano em 1997.
