O presidente da Câmara Municipal de Machico afirmou hoje que existem investidores interessados em prosseguir os trabalhos de recuperação do histórico Forte São João Baptista, situação que se arrasta há uma década.

“A Câmara [de Machico] tem investidores interessados em continuar os trabalhos, já com uma volumetria mais reduzida e com cerca de dezena e meia de quartos, o que vai conferir mais harmonia ao espaço envolvente, à baía e ao Pico do Facho”, disse Ricardo Franco à agência Lusa.

Aquele forte, um imóvel que data de 1708, construído junto ao cais da cidade, que é também conhecido pelo Forte do Desembarcadouro foi ao longo do tempo utilizado como hospital para doentes com cólera, colónia de férias e local para realojamento dos retornados das ex-colónias de Portugal, tendo, segundo os historiadores, desempenhado um importante papel no contexto da Guerra Civil Portuguesa, há mais de uma década que aguarda por reabilitação.

O responsável autárquico referiu que este foi um dos projetos que abordou numa reunião que manteve com o presidente do Governo Regional da Madeira, social-democrata Miguel Albuquerque, mencionando que esta foi “a terceira vez” que levou o assunto da futura unidade hoteleira a criar naquele espaço à Quinta Vigia [Presidência do executivo insular].

“O que a Câmara Municipal de Machico quer que as obras do Forte de São João Baptista sejam feitas com a maior celeridade possível”, declarou.

Ricardo Franco disse que saiu da reunião com o chefe do Governo Regional “confiante de que agora o executivo de Miguel Albuquerque vai mesmo agilizar o processo para que as obras de recuperação do edifício, que é património histórico, sejam levadas adiante”.

Recordou que, em julho e em setembro de 2015, o município de Machico “recebeu a garantia da abertura de concurso público, por parte do governo, de que seriam terminadas as obras iniciadas há mais de dez anos, até porque havia um emigrante interessado em investir naquele espaço icónico da baía de Machico”.

Contudo, o procedimento relativo a um projeto que previa uma a implementação de uma unidade hoteleira com cerca de 70 “não avançou e o imóvel, que tinha prevista essa obra megalómana no seu primeiro projeto, continua à espera de solução”.

O autarca aponta que Machico agora “espera que o Miguel Albuquerque avance com o procedimento que tornará possível ao investidor concretizar os seus planos”, o que, permitirá “encerrar um capítulo de uma década e reescrevendo de forma digna a história de um dos mais míticos edifícios da Região Autónoma da Madeira”.

Ricardo Franco destaca a “riqueza histórica incalculável” do Forte, uma edificação que inclui uma capela, considerando que é “um espaço privilegiado para construir uma unidade hoteleira, sobranceira à baía da cidade de Machico, a primeira na Madeira depois da capital, Funchal”.