A violência contra médicos atingiu 30 mil profissionais na América Latina em cinco anos, segundo dados divulgados na assembleia da Confederação Médica Latino Ibero-Americana e do Caribe (Confemel), entidade que inclui Portugal.

No encerramento do evento, que decorreu entre quarta-feira e hoje em Brasília, no Brasil, os médicos aprovaram um manifesto a pedir medidas de segurança perto de serviços de saúde e formação para os médicos liderem com situações de conflito.

Num documento, o setor recomendou também que os pacientes e a sociedade recebam informação sobre o problema.

A carta será entregue às autoridades de cada país da Confemel, que integra 22 Estados da América Latina e do Caribe, além de Portugal e de Espanha.

As agressões físicas contra médicos partem sobretudo de acompanhantes de pacientes e a demora no atendimento é a principal causa.

“Tivemos, este ano, principalmente agressões físicas, mas também agressões verbais, sem falar nas queixas judiciais contra médicos que tem aumentado vertiginosamente”, afirmou o presidente da Confemel, Jean Carlos Fernandez, citado pela Agência Brasil.

O responsável alertou que “as pessoas, porque não realizam um exame, porque não conseguem fazer uma consulta, atribuem isso aos médicos, quando, na verdade, os verdadeiros culpados são os gestores”.

Os que mais sofrem são os peritos e os profissionais que trabalham em situações de emergência.

“Os peritos, em especial, porque muitas vezes tomam uma decisão que é contrária à vontade do paciente. São pessoas que estão em busca de auxílio-doença (...). E depois, as pessoas que trabalham em pronto-socorro, em especial na área de pediatria, estão muito expostas a esse tipo de agressão”, disse.

Durante o encontro, foi também manifestado apoio à Venezuela, país que apresenta os piores índices de violência na saúde no mundo.

Os presentes aprovaram ainda o dia 04 de dezembro como o Dia Latinoiberoamericano contra as Agressões a Médicos e Sanitaristas.