O partido Nós, Cidadãos! denuncia aquilo que entende ser uma política de “dois pesos e duas medidas” do Governo Regional no que toca ao apoio psicológico.

Num comunicado emitido esta manhã e assinado pelos principais responsáveis na Madeira e Porto Santo deste projecto político, salientam que “os madeirenses e portossantenses ficaram a saber, no passado dia 19.11.2016, que cerca de ‘500 cuidadores’ dos vários serviços da Secretaria Regional da Inclusão e Assuntos Sociais, chefiada por Rubina Leal, vão dispor – e bem – de ajuda de psicólogos para prevenirem o síndrome de exaustão profissional (’burnout’), que foi assegurada através de um protocolo assinado entre o Governo Regional e a Ordem dos Psicólogos, na figura do seu bastonário, Telmo Baptista”.

No entanto, o Nós, Cidadãos! “não questiona a utilidade da medida, mas considera que o Governo Regional, liderado por Miguel Albuquerque, discrimina, neste e noutro tipo de apoios que devem ser prestados pela entidade empregadora (neste caso, o Estado), os funcionários e até utentes das diferentes secretarias regionais”.

E acrescentam a denuncia: “Referente a este assunto – apoio psicológico (no sentido de realização de trabalho de prevenção e implementação de estratégias de intervenção) para os funcionários públicos regionais – o Nós, Cidadãos!-Madeira e Porto Santo considera que seria de todo indispensável (e urgente) a assinatura de idêntico protocolo com a Secretaria Regional da Educação (SRE), pois à semelhança do que se passa a nível nacional (e apresentado num inquérito realizado pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada já este ano, onde se referia que cerca de 30% dos docentes nacionais do 2.º e 3.º ciclos e ensino secundário estavam em ‘burnout’, ou seja, exaustos emocionalmente e sem qualquer sentimento de realização profissional), também os professores na RAM precisam de apoio psicológico, assim como – e devido ao grande desgaste profissional – muitos profissionais do sector a saúde que estão afectos à Secretaria Regional da Saúde e em particular ao SESARAM, EPE.”

Assim, o Nós, Cidadãos! – Madeira e Porto Santo “recorda ainda que a inexistência de apoio psicológico nos serviços do Estado não se fica só por aqui. Ainda recentemente o partido Nós, Cidadãos! – Madeira e Porto Santo e uma estrutura sindical mencionaram que faltam psicólogos a mais de dois mil estudantes que foram privados, este ano lectivo, deste apoio, nomeadamente nas Escolas Básicas e Secundárias de São Jorge, Santa Cruz, Porto Moniz e Calheta, onde muitas vezes são os próprios docentes (sem competência profissional) que se vêem obrigados a desempenhar estas funções com o intuito de colmatar uma falha que parece ainda não ter sido solucionada pela Secretaria Regional da Educação”.

Acresce ainda que “nas duas maiores escolas Secundárias do Funchal (Escola Secundária Francisco Franco e Escola Secundária Jaime Moniz), que são frequentadas por perto de 2.500 alunos cada, neste ano escolar 2016-2017, o número de psicólogos que trabalha actualmente no Serviço de Psicologia e Orientação (SPO) não cumpre o rácio recomendado que é de 1/1.000, (neste momento é de apenas um para 2500, o que é manifestamente insuficiente) o que significa que faltam psicólogos também nas escolas da Região Autónoma da Madeira”.

Daí a constatação de do ditado popular “dois pesos e duas medidas”, que, argumentam, “caracteriza muito bem a política deste Governo Regional de Miguel Albuquerque”. E concluem: “Um Governo com dois pesos e duas medidas: uma (e bem) para os trabalhadores de uma ‘particular’ secretaria regional, outra para os trabalhadores das restantes secretarias regionais, provavelmente aquelas onde os secretários regionais têm menos ‘peso’ político.”