O presidente do Serviço Regional de Proteção Civil (SRPC) da Madeira, coronel Luís Neri, alertou hoje que a “coordenação institucional” não se faz pelo telefone, respondendo, assim, a críticas do presidente da Câmara do Funchal aquando dos incêndios de agosto.
Na audição parlamentar de sexta-feira na Comissão Especializada Permanente de Saúde e Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa da Madeira sobre “Catástrofes Naturais e Incêndios” requerida pelo PSD, o presidente da autarquia do Funchal, Paulo Cafofo, disse que, nos incêndios da segunda semana de agosto, tinha havido “comunicação operacional” mas não “institucional”.
Luís Néri, na audição parlamentar de hoje, confirmou ter recebido vários telefonemas de Paulo Cafofo.
“Se nesse dia tive vários telefonemas do presidente da Câmara Municipal do Funchal, digo sim, que tive, e também digo que falei com ele (...) em Santo António”, esclareceu, respondendo a uma questão colocada pelo deputado do BE, Roberto Almada.
“Agora, entendo que, nestas alturas, há locais próprios para se fazer este tipo de reunião e esse tipo de tomada de decisões”, acrescentou.
Luís Néri adiantou ainda à Comissão que, “desde as 20:00 do dia 08 de agosto”, o posto de Comando das operações tinha sido montado e estabelecido em São Roque, por onde passaram presidentes de juntas de freguesia, Polícia de Segurança Pública, Cruz Vermelha entre outras entidades.
“Agora, entendo que a tal coordenação institucional não se faz ao telefone nos precisos momentos de maior preocupação”, frisou.
Sem indicar nomes, Luís Néri disse ainda que a “coordenação institucional” não é aprendida “num dia, nem num mês, nem num ano”, lembrando que, há cinco anos, “todas as segundas-feiras pelas 14:30” são realizadas reuniões de coordenação no SRPC com a presença das câmaras municipais, serviços do Governo Regional, corpos de bombeiros e forças e serviços de segurança e das Forças Armadas.
“Agora, naturalmente, que nós não impomos, nem obrigamos que as pessoas venham a estas reuniões. Vai quem entender que deve ir, quem tem necessidade de ir”, observou, sugerindo a consulta das listas de presenças.
A Comissão ouviu também o presidente da Federação de Bombeiros da Região Autónoma da Madeira (FBRAM), Rocha da Silva, que recordou que o Programa de Ajustamento Económico Financeiro (PAEF) celebrado com o Estado português em janeiro de 2012, retirou às associações de bombeiros dotações financeiras na ordem dos 20%, representando uma diminuição de 600 mil euros, que podiam ser aplicados em recursos humanos e equipamento.
Rocha da Silva defendeu, ainda, ser “essencial criar postos de trabalho nas florestas para trazer uma outra consciência”, assim como a criação de um Plano Operacional de Prevenção aos Incêndios Florestais.
