“Madeirenses chocados com a vitória de Donald Trump” – 10.11.2016

1.Mim, que já visitei o Estados Unidos da América (EUA) por sete vezes (7!) - Nova York, Washingtton DC., Seattle a Miami (5,422k), São Francisco a Chicago (a mítica Road 66 – 3.665k) – pervagando por qualquer coisa como vinte e dois Estados – fico estupefacto como é que há madeirenses chocados com a vitória eleitoral de Donald Trump. Explico de forma simples: O EUA e os americanos não podem ser analisados em termos civilizacionais e éticos pelo padrão de Nova York ou de Los Angeles. Não. O americano “normal”, preto ou branco, homem ou mulher, é analfabeto, inculto, racista, xenófobo, homofóbico, machista, religioso (há milhares de seitas), nacionalista, anti-imigrante (mesmo os descendentes de imigrantes), arrogante, estúpido, malcriado e pistoleiro. Dentro de cada um americano “normal” – e foram 60 milhões – há uma espécie de xerife tipo Donald Trump. É o que alguns palermas denominam por “América Profunda.” Arrisco esta previsão: Trump será um grande presidente do EUA.

2. Urge, pois, indagar os madeirenses chocados com a eleição de Donald Trump o que é a “Madeira Profunda”? Ora, a “Madeira Profunda” é a “Madeira Nova” de Alberto João Jardim e de Jaime Ramos. A Madeira que não tolera “pretos” (Pieter Botha, proibido de entrar na Europa, visita a Madeira em 1986 em pleno regime do apartheid na África do Sul”; “nem um tostão para Timor”), “ingleses” (“colonizadores”), “chineses, indianos e nacionais do leste” (“rua da Madeira”), homossexuais (“loby gay”), jornais e jornalistas (“filhos-da-puta”), portugueses (“quero é que a Assembleia da República se foda”; “Guterres é um mafioso”), civismo, (“estou-me cagando para Lisboa”), militares ( “as forças armadas portuguesas estão efeminados”), cidadão anónimo (”Não vale a pena ladrar, porque ainda não aprenderam a ser cachorros”) – e as mulheres, por exemplo, quando em 36 anos de exercício do poder apenas uma (Conceição Estudante) chegou ao cargo de Secretária Regional do Governo Regional da Madeira. Esta “Madeira Nova e Profunda” – uma obra de arte sufragada em eleições fraudulentas pelo voto dos (agora) madeirenses “chocados” – manteve durante 37 anos no poder o xerife Alberto João Jardim e o trauliteiro do Jaime Ramos em regime de impunidade criminal absoluta. Donde, caro madeirense “chocado”, dentro de si há também um Donald Trump com muita trampa na cabeça.

3. Mesmo assim, esta “América Profunda” do Trump é mais sofisticada em moral e bons costumes que a “Madeira Profunda” de Jardim. Enquanto a “América Profunda” do Trump exige investigação a qualquer reza do terço “tipo” a da Monica Lewinsky ao Bill Clinton na Sala Oval da Casa Branca – a “Madeira Profunda” de Jardim tem “garganta funda”. So, Mrs. President Donald Trump, please, come to Madeira and learn something about bóbós on Sala Oval in Quinta Vígia. Here, we don’t have impeachment or spermatozoids cambados. Are all deported in Brussels.