Quem está atento aos dados e aos sinais do mercado rapidamente percebe que os bancos voltam a querer emprestar dinheiro.

São as grandes instituições financeiras aquelas que estão a beneficiar com a recuperação do crédito à habitação. Em regra, são estas que oferecem “spreads” mais baixos.

Durante o ano de 2015 verificou-se uma recuperação do mercado imobiliário. Em grande medida esta recuperação foi suportada pela maior abertura dos bancos para a concessão de novo crédito hipotecário. No acumulado do ano, foram concedidos quase 4 Mil Milhões de euros em novas operações, repartidas por mais de 43 mil contractos. A grande maioria destes financiamentos, mais de 80%, ficou nas “mãos” dos grandes grupos financeiros nacionais.

As instituições financeiras emprestaram 3,9 Mil Milhões de euros para a compra de casa, em 2015, tendo sido assinados 43.041 novos contractos.

Contudo e embora estejamos a verificar esta recuperação das novas operações de crédito à habitação desde o início do ano passado, a verdade é que as amortizações continuam a ser mais expressivas, com as famílias a beneficiarem de uma desregulação que acontece hoje no mercado por via dos juros negativos. Esta anormalidade do mercado tem feito com que os saldos dos empréstimos para a casa estejam a baixar, sendo que ao final de Junho o valor ascendia a 97,2 Mil Milhões de euros, de acordo com dados do Banco Central Europeu (BCE), sendo este o valor mais baixo desde Maio de 2007.

Por outro lado o consumo volta a crescer pelo quarto mês consecutivo. Ao contrário do que aconteceu e se verifica com o crédito habitação às famílias, no consumo, o saldo tem vindo a aumentar. Em Julho, subiu pelo quarto mês consecutivo e atinge os 14,98 Mil Milhões de euros segundo os dados apurados junto do BCE. Esta tendência reflecte, principalmente, a oferta de crédito que é mais abundante, a preços bem mais baixos e com facilidades na aprovação. A variação do crédito ao consumo depende mais da oferta dos bancos, do que propriamente da procura realizada pelas famílias. E esta maior oferta acontece e é favorecida pelo facto de os bancos estarem com vontade e necessidade de fazer negócio e de se sentirem confiantes e com conforto no que toca à actual política monetária.

Estes dados podem ser vistos como positivos e em certa medida claro que o são, mas temos todos que ter consciência dos riscos que corremos ao estarmos demasiados expostos a este tipo de recursos financeiros. Os bancos querem emprestar, mas cabe a cada um de nós efectuar de forma consciente uma análise se realmente estamos preparados para essa exposição à divida.

Falamos muito sobre a divida pública, e que esta está a aumentar e que já ultrapassa o PIB Nacional, 165% do PIB contudo temos que realizar de forma consciente a mesma análise para a divida privada, famílias e empresas pois esta também está a aumentar e já se situa nos 225% do PIB.