No passado dia 5 de Outubro, Portugal comemorou duas datas importantes, para Monárquicos a de 5 de Outubro de 1143, data da Fundação de Portugal e a de 5 de Outubro de 1910 para Republicanos. Não posso deixar passar em branco o que li nas páginas do Diário num artigo de Opinião da Sr.ª Deputada Municipal Guida Vieira no dia 5 de Outubro a propósito deste mesmo tema, a República e a Monarquia. E não posso deixar passar ao lado por vários motivos. Primeiro porque levanta várias falsidades quer do passado quer do presente. O que a Sr.ª Deputada levantou acerca da Monarquia é mentira e pouco democrático, para quem se arroga como cidadã que respeita a opinião dos outros.
Como sabe Portugal teve ao longo da sua história dois regimes, a Monarquia, cerca de nove séculos e a República, um século. Como não lhe pretendo ensinar neste artigo a história de Portugal, dir-lhe-ei o seguinte em traços gerais que a Monarquia nem sempre foi Absolutista. A partir do primeiro Quartel do Séc. XIX a nossa Monarquia passou a ser liberal, parlamentarista, ou seja, devolveu ao povo e aos seus representantes a condução dos destinos do país passando a haver eleições e tendo os Monarcas um papel muito idêntico aos atuais monarcas Europeus.
Por outro lado, esta República está do meu ponto de vista ferida de morte porque não se afirmou por vontade popular, no plebiscito, mas sim com um assassinato premeditado do Rei D. Carlos I e do seu filho o príncipe D. Luís Filipe. Para mim esta República tem as mãos manchadas de sangue. Aliás se fossemos dissecar aqui, o que foi a 1.ª República a 2ª República e a atual teríamos certamente muito pano para mangas.
Nunca em nenhum momento os Governantes desta “República” agiram em prol da causa pública, “RES PUBLICA”, mas sim em proveito próprio.
No artigo de opinião do 5 de Outubro a única verdade que é dita é que “somos um povo muito tolerante e abrangente” todos nós sabemos quem a autora quer atingir ao dizer que “À minha volta, há na República quem se considere Monárquico e até esteja a ocupar cargos que só a República lhe poderia oferecer”. Penso que, e não devo estar a fugir muito à realidade, que a autora se estará a referir a cargos que a República criou e que são a Presidência da República e a Presidência do Governo Regional da Madeira!
Embora estes dignos representantes do Povo e eleitos pelo Povo possam ter uma filiação partidária e escolhidos pelos partidos que militam ou que militaram podem ter uma conceção ideológica de poder condizente com uma monarquia parlamentarista, como aliás se passa em quase toda a Europa. Quantos países Europeus de regimes Monárquicos não tiveram já Primeiros-Ministros Republicanos?
Uma coisa a autora do escrito não consegue apagar da história, quem começou com a Revolução sangrenta “com muitas mortes e feridos” como a própria refere, foi o Partido Republicano minoritário na altura e que levou à implantação da República. Este partido tinha pouco mais de 5% dos votos atribuídos nas ultimas eleições. Estes foram financiados pela maçonaria e tendo como braço armado a Carbonária que tinha estado envolvida dois anos antes no Regicídio de El-Rei D. Carlos I e do Príncipe herdeiro D. Luís Filipe.
Termino dizendo que para mim é muito mais importante a data de 5 de Outubro de 1143, data esta em o Reino de Leão e Castelo reconheceu Portugal como estado soberano e independente, com a assinatura do tratado de Zamora e que se perpetua até aos dias de hoje.
Os Republicanos costumam dizer que a hereditariedade na Monarquia existe em Benefício da pessoa do Rei, e torna os demais súbditos desiguais. Nada mais errado. Ela existe em benefício do Povo e, o Rei, como qualquer outro, está sujeito às leis e às punições da lei. Se um novo Rei fosse eleito sempre que o seu antecessor morresse, o país ficaria sujeito aos ricos e poderosos que, certamente, manipulariam as eleições para eleger o seu candidato.
“O Rei pensa o país não para a próxima eleição (caso da República), ele pensa para toda uma vida e pós vida. Pensa para os filhos, pensa para os netos.
Não é à toa que os projectos de longo prazo realizam-se com mais sucesso nas Monarquias do que nas Repúblicas! É o caso da Dinamarca” Citação de Sebastião Fabiano Pinto Marques
Viva Portugal