O futuro secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu hoje em Brasília que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pode desempenhar “um enorme papel de união na vida internacional”.

O futuro secretário-geral das Nações Unidas destacou o “enorme papel de traço de união na vida internacional que a CPLP pode desempenhar”, na sua intervenção na sessão solene de abertura da XI conferência de chefes de Estado e de Governo da comunidade lusófona, em Brasília.

“As Nações Unidas contam com a CPLP para que esse papel possa ser exercido com grande empenhamento e com grande eficácia”, declarou António Guterres, garantindo que a organização lusófona poderá “contar inteiramente” com ele.

O antigo primeiro-ministro português considerou que, atualmente, as grandes potências e grupos importantes de países têm “perceções perfeitamente disfuncionais” uns dos outros, algo que, garantiu, não acontece na CPLP.

“Nós compreendemo-nos e entendemo-nos. É muito importante que possamos ser uma ponte para que os outros sejam também capazes de se compreender e de se entender. Como se CPLP pudesse também significar a Comunidade das Pontes de Língua Portuguesa”, afirmou.

A comunidade lusófona, acrescentou, pode ter ainda uma capacidade de “juntar a agenda dos direitos humanos com a agenda da soberania nacional, que têm estado tantas vezes em confronto quando poderiam ser complementares”.

Ou, continuou, de “encontrar entendimentos para a reforma das Nações Unidas”, com “profundas ineficácias”.

Guterres lamentou a persistência de velhos conflitos e o surgimento de novos conflitos, assinalando também que há uma cada vez maior interligação das guerras.

“Temos muitas razões para sentir uma profunda preocupação, diria mesmo, uma profunda frustração” em matéria de paz e segurança.

Guterres apontou também a coincidência do lema escolhido para a cimeira da CPLP - a Agenda 2030, definida pela ONU, sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

No entanto, o futuro secretário-geral das Nações Unidas apelou aos países lusófonos para que se empenhem no objetivo dos oceanos, que é “porventura o que vai ter mais dificuldades de concretização”.