A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) apelou hoje ao Governo e à oposição que iniciem um processo de diálogo e sejam “coerentes” com os pedidos de “mediação” feitos ao Vaticano e os esforços do papa Francisco.
Num comunicado distribuído em Caracas, os bispos afirmam que “só o caminho do diálogo, e o respeito pela Constituição e as leis, e não o da confrontação”, pode permitir soluções para “tantos males” que afligem o país.
No documento, pede-se que todos respeitem o compromisso de “iniciar conversações” ainda hoje, de forma a “evitar uma espiral de violência que somará um maior sofrimento” ao povo e o esforço nesse sentido do papa Francisco.
Os bispos alertam ser “inegável que a crise política, económica e social tem levado os venezuelanos a um profundo sofrimento”, voltando a pedir “o esforço e o entendimento de todos para buscar e encontrar soluções”.
Representantes do Governo de Nicolas Maduro e da oposição preveem realizar ainda hoje uma reunião para estabelecer um diálogo sobre a crise política, com a presença de um enviado do Vaticano.
No sábado mais de uma dezena de partidos integrados na MUD pediu que ao encontro fosse apenas o secretário executivo da plataforma, Jesús Torrealba, e só para apresentar uma lista de condições para avançar com o diálogo.
Para sábado, véspera do início do diálogo, a oposição venezuelana marcou uma greve nacional de 12 horas, que segundo as agências internacionais não teve uma expressão significativa, em protesto por ter sido suspenso o processo do referendo para destituir o Presidente.
Os protestos prosseguem até quinta-feira próxima, mas Torrealba garante que se sentará à mesa com o Governo e os representantes do papa. Henrique Capriles, líder oposicionista, tinha dito antes que a MUD não participaria no processo.
Maduro já disse que participaria. E no sábado anunciou também uma inspeção a empresas que aderissem à greve nacional.
Apesar de o presidente da Conferência episcopal da Venezuela já ter dito que a reunião (a acontecer) servirá apenas para “colocar posições sobre a mesa”, a iniciativa foi saudada por chefes de Estado e de Governo que estão a participar na XXV cimeira ibero-americana em Cartagena das Índias, na Colômbia, na qual Nicolás Maduro não participa (anunciou que não iria à última da hora).
Presente na cimeira, o secretário-geral da ONU designado, António Guterres, afirmou no sábado que no encontro de Cartagena houve consenso quanto à necessidade de um diálogo construtivo entre as partes na Venezuela.
