O chefe das negociações do Governo colombiano para o diálogo de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN), Juan Camilo Restrepo, avisou ontem o grupo guerrilheiro que as “negociações sérias” não se fazem aos microfones, adiantou a EFE.
Segundo a agência de notícias espanhola, Restrepo deixou um recado ao ELN através de uma publicação na rede social Twitter: “As negociações sérias não se fazem ao microfone. Nem tão pouco desqualificando a contraparte”.
Restrepo respondia desta forma ao chefe de negociações do ELN, Israel Ramirez, conhecido na guerrilha como ‘Pablo Beltrán’, que responsabilizou o Governo pela suspensão do início das negociações previsto para a passada quinta-feira, 27 de outubro, em Quito, a capital do Equador.
O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, adiou a viagem ao Equador da equipa de negociações de paz com o ELN, aguardando a libertação pelo grupo guerrilheiro do antigo congressista Odín Sánchez, que estava sequestrado.
O líder da guerrilha, ‘Pablo Beltrán’, disse depois em entrevista à Blu Radio que o ELN vai libertar o antigo congressista sequestrado há seis meses.
O ELN tem “toda a disposição de mudar, de assumir responsabilidades”, e espera que “o regime faça o mesmo”, disse o chefe das negociações do grupo guerrilheiro.
Apesar dos contratempos, o presidente colombiano disse numa entrevista à agência EFE que acredita que o ELN libertará em breve Odín Sánchez para que as partes possam avançar com a fase pública do diálogo de paz.
Odín Sánchez Montes de Oca está cativo há seis meses, quando se entregou em troca da libertação do seu irmão, antigo governador de Chocó.
O irmão tinha sido sequestrado em 2013, pelo ELN, a segunda guerrilha colombiana depois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
O Governo e a guerrilha anunciaram no início de outubro a decisão de avançar para negociações.
A decisão surgiu depois de o Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ter conquistado o Prémio Nobel da Paz, mesmo com a rejeição em referendo do acordo de paz que tinha fechado com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, a maior guerrilha do país).
O Governo presidido por Juan Manuel Santos e o ELN deveriam ter instalado a mesa das negociações no dia 27 em Quito, capital do vizinho Equador, um dos países garantes desse processo de paz. Previa-se o arranque das discussões formais a 03 de novembro.
Segundo as autoridades, o ELN, uma guerrilha inspirada na revolução cubana e em Che Guevara, tem origem numa insurreição camponesa em 1964, à semelhança das FARC, e ainda mobiliza cerca de 1.500 combatentes.
O Governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assinaram um acordo de paz, após quase quatro anos de conversações em Havana, Cuba, para terminar um conflito armado que se prolonga há 52 anos. O ato justificou a atribuição do prémio Nobel da Paz ao Presidente colombiano, Juan Manuel Santos.
No entanto, a paz na Colômbia encontra-se no limbo depois do referendo do passado dia 02 de outubro, quando a população chumbou o anterior acordo assinado pelo Governo e pelas FARC.
Na sexta-feira, o presidente da Colômbia admitiu convocar outro plebiscito porque um novo acordo com os rebeldes das FARC “não pode ser descartado”, e reconheceu que não contava com a derrota no referendo de 02 de outubro.
