O Ministério Público pediu hoje uma pena de 20 anos de prisão para o suspeito de ter matado a ex-companheira à facada no Bombarral e de a ter colocado no porta-bagagens, em 2015.
Durante as alegações finais no Tribunal Judicial de Leiria, o Ministério Público (MP) de Leiria considerou que os factos da acusação ficaram provados, a que não são alheios os testemunhos da mulher que foi coagida a colocar o corpo da vítima no carro e os do agente da PSP de Caldas da Rainha que recolheu o depoimento do homem.
Considerando tratar-se de um “crime horrendo”, o procurador defendeu uma pena “não inferior a dois anos para o crime de coação e não inferior a 19 anos para o homicídio qualificado”. Em cúmulo jurídico, “diria 20 anos”.
Concordando com as palavras do MP, o advogado da filha da vítima, uma menor de 13 anos, defendeu uma pena “exemplar”, “adequada aos factos cometidos pelo arguido”, mas também que sirva de prevenção geral, uma vez que, “infelizmente, veem-se cada vez mais este tipo de crimes”.
A advogada de defesa sublinhou que o seu cliente “não se recorda do que aconteceu”, recordando que o relatório psicológico revelou “problemas de personalidade”.
Antes de terminar a sessão, o arguido confessou que está a “pagar duas penas”. Está preso e perdeu a “mulher que mais gostava”.
Segundo o despacho de acusação do Ministério Público a que a agência Lusa teve acesso, o homem está acusado de um crime de homicídio qualificado e outra de coação, pela morte da ex-companheira, no Bombarral.
Em data “anterior a 16 de setembro de 2015, o arguido engendrou um plano para matar” a ex-companheira, com quem teve uma relação amorosa durante cerca de um ano, lê-se na acusação.
“Desde o final de junho de 2015, o arguido encontrava-se com a ofendida e, algumas vezes, apesar de esta lhe transmitir que não queria ter mais qualquer relação consigo, vinham a ter relações sexuais consentidas”.
Segundo o MP, por não se ter conformado com o fim da relação, no dia 17 de setembro o arguido pôs em prática a “execução do plano”. “Cerca das 20:00, o arguido saiu de sua casa com uma mochila, levando no seu interior uma faca de cozinha, uns óculos e chaves de casa”.
Dirigiu-se a pé para o lar onde a vítima trabalhava, no Bombarral. Quando a avistou, encaminhou-se em direção ao veículo desta e “empunhou a faca de cozinha que trazia na mochila” e “desferiu-lhe facadas, em número não apurado, mas não inferior a 13, ao nível da cabeça, pescoço, tórax, dorso, abdómen e membros superiores”.
O MP refere que as facadas proferidas causaram lesões que “resultaram direta e necessariamente na morte” da ex-companheira.
Em seguida, dirigiu-se à colega de trabalho da vítima e pediu que ajudasse a colocar o corpo no carro da vítima, o que esta acabou por fazer, após ter sido ameaçada de morte.
O arguido dirigiu-se depois à PSP de Caldas da Rainha e confessou que tinha a mulher na viatura.
A leitura do acórdão está marcada para o dia 04 de novembro, pelas 15:00.
