A saúde que hoje temos está aprovada que deriva de tudo aquilo que comemos, ingerimos e não é por menos.
Repare-se que noutros tempos havia um cuidado especial com as comidas, mas a preocupação não era só da comida, mas também os hábitos como se vivia nesses tempos.
Uma sociedade de classe média normalmente possuía as suas terras para daí tirar o seu próprio alimento que era usado no seu dia-a-dia, era um trabalho incansável mas recompensável, havia um cuidado muito especial na adubação das terras, pois fugiam dos fertilizantes ou outras coisas que pudessem alterar o seu tempo de crescimento mudando os sabores que eram tão importantes, e nesse caso recorriam ao adubo animal.
Uma boa fazenda tinha sempre um poço de rega e pelo menos um palheiro e afins que servia para abrigar os animais e cujo motivo mais importante era a criação do adubo bem como o aproveitamento do leite e da carne, que era usado no seu dia-a-dia.
As regas eram usadas de oito ou de quinze a quinze dias, e esses adubos eram lavados e levados juntamente com a água e servia de adubação como adubo natural e proporcionava boas colheitas e mais natural não havia.
Os excedentes iam para as mercearias afim de serem vendidos, o próprio agricultor só vivia do que criava e retirava das fazendas, cuidava de carneiros, cabras, coelhos, galinhas e tudo o mais que era necessário para garantir o seu próprio alimento.
Nessa altura todas as fazendas era feito um plantio de couves, batata doce, semilha, feijão e afins.
Todos esses alimentos naturais eram usados para a confeção das sopas que consumiam diariamente.
Mas não eram só as sopas que faziam parte da nossa alimentação, nesse tempo havia, peixe com fartura e consumíamos em grande quantidade, pois nessa altura não havia entreposto frigorífico para o armazenar e por tal facto o peixe era todo vendido no dia até porta a porta e isso explica os nossos hábitos alimentares nesses tempos, as comidas eram confecionadas em panelas grandes de ferro em fogões de lanha e fornos o que tornava a comida verdadeiramente diferente e natural, comíamos muitas caldeiras de peixe, muito peixe frito, mas era só em azeite, óleos nessa altura não conhecíamos, o que conhecíamos era só óleo para motores de carro e mais nada, por isso usávamos a banha e o azeite, vai imaginando uma panela bem cheia com postas de atum a cozer com cebola, salsa e alho só o cheiro ia longe.
Também se comia de quando em vez uma açorda bem condimentada que servia de alimentação e ajudava na saúde.
A carne raramente era consumida, só era usada exclusivamente a carne de porco para as sopas, mas quando havia um dia especial comíamos carne de carneiro, galinha ou coelho, que eram criados exatamente para consumo.
Todas estas ficavam três horas ou mais numa marinada natural e depois voltavam para as panelas de ferro que já estavam preparadas com azeite, banha, alho e louro. Essas carnes eram deitadas na panela e sempre viradas para alourar e o efeito final era acompanhada com semilhas pequenas que também alouradas.
Uma galinha nesses tempos levava sete meses que era o prazo mínimo para ser consumida, mas também havia o cuidado dos animais serem alimentados a produtos naturais, tais como farelo, rolão, restos de couve e afins. Criavam uma carne tão saborosa que raramente hoje se vê por aí, só quem tem galinheiros e que cria algumas ainda se encontra, proporcionava boas canjas e a tão famosa galinha dourada que ainda hoje só ao falar já “água na boca”, o seu cheiro era inconfundível, a galinha também era metida na panela e ia sempre virada até cozer e alourar bem, o resto já imaginamos, mas nesses tempos as águas eram puras, não tinham quaisquer tratamentos, quem não tinha água em casa usava as fontes que haviam nas estradas, normalmente nos poços de casa havia uns filtros feitos de pedra cantaria e que filtrava a água e que a tornava mais pura, boa para o nosso consumo.
Além das comidas caseiras havia o hábito de as pessoas se movimentarem mais, quer no trabalho de fazenda quer nas estradas que iam ao encontro do seu trabalho.
Resumindo, comer bem, andar bem e beber água pura era nada mais nada menos do que uma grande ajuda para no futuro ter uma velhice longa e saudável, até as crianças beneficiavam disso.
Em todas as casas possuíam uns canteiros com variadíssimas ervas de chá que para nós era nesse tempo uma grande ajuda na saúde e na prevenção de doenças, havia mais de trinta qualidades de ervas e todas com uma função.
Fico por aqui, porque a história já vai longa e outro dia se o diário o permitir eu conto o resto e será sobre a farmácia caseira.
Juvenal Silva