O secretário-geral das Nações Unidas designado, António Guterres, afirmou hoje em Nova Iorque que quer ser um “mediador honesto” na comunidade internacional, após ser confirmado no cargo pela Assembleia Geral da organização.
“Farei o meu melhor nestes dois meses e meio para me preparar, conhecer os problemas e as divisões, para poder atuar como um mediador honesto, alguém que tenta reunir as pessoas para perceber quais são as diferenças e, mais importante, como se podem unir”, disse Guterres aos jornalistas.
Questionado sobre o conflito na Síria, que é apontado como o seu primeiro grande desafio, o português disse que sente “uma grande solidariedade para com o povo sírio.”
“Fui Alto Comissário para os Refugiados e vi os sírios abrirem as suas fronteiras, as portas das suas casas e dos seus corações para milhões de refugiados que entravam. Ver o povo sírio a sofrer tanto é algo que absolutamente parte o meu coração”, disse.
“O que posso dizer é que darei o meu melhor para servir a causa da paz para o povo sírio, mas agora, existe um secretário-geral da ONU a trabalhar para isso. Testemunho também o facto de que os países chave vão encontrar-se de novo e tentar avançar”, disse, explicando que “é uma obrigação moral” de todos “parar o sofrimento do povo sírio.”
António Guterres, que acabara de discursar em inglês, espanhol e francês, disse estar “profundamente comovido com a unidade e o consenso” mostrados pela Assembleia Geral e pelo Conselho de Segurança no processo que levou à sua indicação.
“Espero que esta unidade e consenso sejam simbólicos de que os organismos da ONU e a comunidade internacional como um todo são capazes de enfrentar os desafios de hoje e capazes de tomar atempadamente as decisões necessárias para fomentar a paz, terminar conflitos e criar as condições para que os direitos humanos sejam uma realidade para todos”, disse o próximo secretário-geral.
Questionado sobre outros conflitos, António Guterres reafirmou o seu compromisso em ser um mediador para atingir soluções e alertou para os riscos que a falta de ação representa.
“Os riscos para esses países, com o sofrimento dessas pessoas, e os riscos para a comunidade internacional mostram que é tempo de lutar por isso”, concluiu.
