Cerca de 100 utentes da Casa de Saúde Câmara Pestana estão esta tarde na Praça Colombo, no Funchal, para comemorar o Dia Mundial da Saúde Mental com diversas actividades.

No âmbito da efeméride, a instituição leva a cabo anualmente a Semana Aberta à Saúde Mental e na Praça Colombo realiza-se uma espécie de ‘open day’ à comunidade onde as pessoas podiam conhecer algumas das várias actividades que a Casa de Saúde realiza.

“Trazemos para praça algumas das actividades que dinamizamos na Casa de Saúde, nomeadamente o atelier de trabalhos manuais, temos outra utente que trabalha em peças de bijutaria...”, referiu Didia Ferreira, animadora cultura da instituição. Várias pacientes demonstram ao vivo os projectos que desenvolvem para ocupar o tempo na instituição.

No local houve ainda espaço para algum exercício físico pois “não há saúde mental sem saúde física” e a organização promoveu também algumas modalidades desportivas como o dance fit e o zumba. “São algumas das actividades que temos e que também pretendemos trazer para a rua para as pessoas irem tendo conhecimento do que se passa dentro de uma casa de saúde”, continuou.

A Casa de Saúde Câmara Pestana anualmente promove intercâmbios com escolas onde apresentam o que fazem e porque fazem, abrindo as portas aos interessados em conhecer a instituição.

Também no âmbito das celebrações, a Casa de Saúde desenvolveu uma parceria com o estabelecimento Vila Mar em que o artista plástico Marco Vasconcelos que lá trabalha e um grupo de funcionários do estabelecimento se juntarão às utentes da casa da saúde e juntos vão pintar um mural. “Será uma mensagem para este dia”, justificou Didia Ferreira.

Estas iniciativas fora da instituição são sempre muito esperadas pelas utentes, admitiu a animadora cultural, sublinhando que ao longo do ano são promovidas vários passeios fora da Casa de Saúde. “Durante todo o ano temos saídas programadas, mas a semana aberta já as deixa em suspense do que vai acontecer este ano”, adiantou.

Para além dos vários ateliers, em 2013 nasceu o GAR - Grupo de Auto-Representação que é constituído por 8 utentes, onde estas pacientes são a ponte entre as doentes que estão na Casa de Saúde e a direcção da instituição. Com este grupo pretende-se promover o empowerment e autodeterminação, dando às utentes a oportunidade participarem activamente na vida da instituição.

“Estas utentes representam as que têm mais dificuldades em se expressar. Para esta semana fizemos um folheto para combater o estigma. Infelizmente a saúde mental ainda tem uma carga social muito pesada e as doentes sentem muito isso”, diz Idalina Freitas, assistente social e facilitadora do grupo. “[Sair à rua] permite mostrar que são capazes e de mostrar as suas competências.”