Carla Velosa Não tenho nada contra os TPC (Trabalhos para Casa). Sempre os fiz no meu percurso escolar, sendo que no 1º Ciclo, havia a possibilidade de permanecer na escola depois da hora de saída, no que era chamado de “Estudo”. As crianças que ficavam no Estudo eram encaminhadas para uma sala de aula onde estava uma professora e lá fazíamos os TPC com o apoio da professora em caso de necessidade. Sabíamos que assim que terminássemos, o resto do tempo era para brincar. Desta maneira, aprendi a fazer os TPC sozinha, e mais tarde nunca foi preciso ninguém andar atrás de mim para os fazer. Agora, o meu filho acaba as aulas às 16h30. Mas eu só saio às 17h30 (se tudo correr bem). Antes das 18h00 não o consigo ter comigo. Chegamos a casa na melhor das hipóteses 18h30. Fazer os TPC, dependendo da quantidade dos mesmos e da disposição da criança - que a essa hora já revela um certo cansaço físico e mental - leva entre 30m a 1h. Já são 19h30. Tomar banho, jantar, dá 21h. E é quase hora de ir dormir, porque no dia seguinte a alvorada é às 7h. E onde fica o tempo para brincar, para espairecer, para a criança fazer algo que não seja uma obrigação? A mim custa-me vê-lo nesta rotina todos os dias e não consigo deixar de pensar que se ele viesse com os TPC feitos da escola fazia toda a diferença. Uma vez perguntei à diretora se não havia essa possibilidade. A resposta veio com um toque de pedagogia: “Os TPC devem ser feitos em casa com o apoio dos pais, que é da maneira que acompanham o percurso escolar da criança”. O quê?! Os TPC fazem com que eu nunca possa, por exemplo, ir buscar o meu filho à escola para irmos a um parque, a um jardim ou dar um mergulho ao fim do dia na praia. E é das boas recordações que tenho da minha infância, é sair da escola com tudo feito e irmos passear a qualquer lado, comer um gelado, espairecer e brincar. Quem é que gosta de sair do trabalho, ir para casa e lá voltar a abrir o dossier do trabalho e trabalhar mais um pouco? Ninguém, aposto. Então porque fazemos isto às nossas crianças e não as deixamos desligar do “trabalho”?