O final do ano de 2015 trouxe mais de mil milhões de euros ao futebol português. Quando muitos debatiam qual o futuro, qual o caminho para este mesmo futebol, onde pairam as dividas a jogadores, as dificuldades de muitos clubes em manterem-se, muitos para lá do terceiro mês de competição, quando já não têm capacidade para cumprirem os seus compromissos, eis que uma avalanche de dinheiros irrompe pelo futebol português dentro.
Os 3 grandes conseguiram, cada qual à sua medida, excelentes contratos e agora assistimos aos restantes a conseguirem assinar novos contratos por melhores valores. O que aqui pode ser questionado é a questão temporal dos mesmos. Quando se assiste a clubes a assinarem contratos com início dos mesmos em 2018 e 2019 e por 7 ou 10 anos, ficamos sempre na dúvida se aquilo que é excelente hoje não será apenas bom naquela data. E agora, o que fazer com tanto dinheiro? Arrumar a casa, pagando e resolvendo o passivo dos clubes, como já referiu o presidente do Benfica, ou usar parte desses valores e investir na equipa? Cada qual fará o que muito bem entender mas é importante usar de forma criteriosa esse dinheiro, que alguns não se achem os novos ricos e desatem a gastar em jogadores, oferecendo contratos acima da realidade, só porque sim. Jorge Jesus diz, e com razão, que o jogador médio português que no presente sai para jogar no estrangeiro, com esta nova realidade poderá ficar em Portugal.
Temos muitos jogadores de qualidade mas quando vemos muitos saírem para campeonatos como o de Chipre, Roménia ou segundas divisões em França, Itália e Espanha, não porque sejam melhores que os portugueses mas apenas e só porque pagam mais. Acima de tudo que haja muita cabeça na gestão dos clubes, reconhecendo que a equipa principal é a mole impulsionadora do clube, há que perceber tudo o resto da vida dos clubes. E como estamos numa de futebol português, a Liga segue animada, com nova mudança na liderança, numa Liga que será seguramente disputada a 3 e até ao fim. Jorge Jesus a fazer um bom trabalho no Sporting e usando o bom trabalho deixado pelos anteriores treinadores que passaram pelo clube, está em primeiro lugar com mérito. Rui Vitória no Benfica ainda não conseguiu convencer tudo e todos e Lopetegui no FC Porto, apenas e só, consegue convencer a administração da SAD.
Julen Lopetegui, ao fim de época e meia ainda não percebeu a real dimensão do FC Porto. Dizer que perdeu poucos jogos e que as vitórias são muitas, é não perceber onde está, poucas derrotas no FC Porto, na era Lopetegui são suficientes para não ter conquistado nenhuma competição. Mas acima de tudo, o que não convence os adeptos é a forma de jogar da equipa, não convence ninguém, até nas vitórias foram poucos os jogos em que os adeptos saíram satisfeitos quer com a vitória quer com a exibição. Que a liga portuguesa caminhe em direção ao futuro com passos devidamente sustentados e que o novo cenário trazido por estes contratos televisivos seja para melhorar e credibilizar o futebol português. Bom ano de 2016.
Duarte Vieira