A 3 de Setembro de 1939, dois dias após a invasão nazi à Polónia, o Reino Unido declarou guerra à Alemanha. No entanto, seria apenas a 10 de Setembro que a África do Sul e o Canadá, então partes integrantes do império inglês, seguiriam a atitude da coroa inglesa contra a Alemanha nazi. Assim, durante cerca de 7 dias, o Rei Jorge VI - monarca do Reino Unido, África do Sul e Canadá – esteve, simultaneamente, em paz e em guerra com Hitler. Volvidos alguns anos, a contradição aprofundava-se, quando a guerra entre a Índia e o Paquistão, colocava Jorge VI em guerra consigo mesmo, enquanto chefe de estado de ambos os países. Se é difícil agradar a gregos e a troianos, impossível será ser grego de manhã e troiano à tarde. Todavia, em Portugal, a maioria de esquerda que agora governa o País, parece disposta a provar o contrário. Jerónimo, membro da oposição, convoca uma greve de 6 dias dos trabalhadores do Metro de Lisboa. Passados 3 dias, Jerónimo, membro do governo, anuncia que afinal já não há greve, mas sim um acordo com os sindicatos. Como sempre, ninguém sabe ao certo a razão da greve, a novidade é que não sabemos também os termos do acordo que a impediu. Jerónimo, defensor dos mais pobres, arrasou a proposta do PSD/CDS que aumentava as pensões mais baixas em 2,50€ por mês. Passadas algumas semanas, Jerónimo, defensor do governo, aplaude o aumento de 0,60€ das pensões mais baixas, proposto pelo Partido Socialista. Afinal, os números também têm ideologia, quando vêm da direita são pobreza e austeridade, quando nascem da esquerda são política social e patriótica – mesmo que as contas não batam certo. Jerónimo, membro da maioria de esquerda, prometia uma solução duradoura com António Costa, “empenhado em construir e honrar a palavra dada”. Ao primeiro obstáculo, Jerónimo, fiel do Comité Central, puxou o tapete ao Partido Socialista e votou contra o orçamento rectificativo. “Não estava no acordo!”, diria Jerónimo. Ficámos a saber, que o acordo à esquerda apenas serve dois propósitos: derrubar o governo eleito e reverter as decisões do seu antecessor. Já para governar Portugal, não contem com os votos da esquerda.
João Paulo Marques Advogado