Para 2016, a Europa terá de lidar com a crise migratória dos refugiados, a reabertura do dossier de adesão da Turquia à União Europeia (UE) e o referendo do Reino Unido sobre a sua permanência na UE.
Se a forma como os países europeus abriram no início as suas fronteiras estava errada, sem o controlo necessário à sua segurança e defesa interna, a atitude que agora se antevê de simplesmente encerrar as fronteiras e virar as costas ao drama humano também é errada. Diz sabiamente o povo: nem 8, nem 88.
A ONU já alertou os países europeus que, se encerrarem as suas fronteiras, todos os outros países do Mundo o farão. O Mundo tem os olhos postos na Europa e nos seus líderes e é para ela que se dirige a quase totalidade dos refugiados. Com visão estratégica, a UE poderá ter aqui uma oportunidade para consolidar a sua liderança na geopolítica mundial, reforçando o seu poder político na ONU e nas suas negociações no seio da Organização Mundial de Comércio. Se bem liderar este processo, ganhará “o desafio” do referendo da permanência do Reino Unido na UE. O povo inglês só se pronunciará a favor da Europa se verificar que desta associação lhe pode advir vantagens.
A Turquia tem tido um papel crucial na receção dos refugiados, havendo quem na Europa considere a parceria com este país apenas para a receção dos refugiados em contrapartida de um apoio financeiro europeu. Mas, à Turquia interessa reabrir o seu processo de adesão à UE, cujo primeiro pedido remonta a 1963, e, cuja adesão é controversa – é um país dividido entre a cultura europeia e islâmica, onde não existia uma economia de mercado, se praticava a pena de morte e não existia uma verdadeira democracia que atestasse o respeito por todas as opiniões e minorias, nomeadamente os direitos da população curda. A Turquia fez um esforço e cumpriu com todas as exigências estabelecidas pela UE, tendo inclusive substituído o alfabeto árabe pelo latino. Seria, portanto, agora, desleal e vergonhoso para a Europa recusar o seu pedido de adesão, porque diplomacia não é sinónimo de enganar, mentir e aldrabar. Mas de compromissos e de respeito pelos acordos efetuados. A boa diplomacia estabelece acordos duradouros e, por isso, não se baseia na política e nos políticos de curto prazo. A boa diplomacia e os bons políticos têm visão estratégica e mudam o Mundo para melhor.
Graças ao desejo da Turquia em aderir ao projeto europeu e as reformas exigidas pela UE, conseguiu-se aproximar aquele país da matriz ideológica da Europa e hoje temos a Turquia como aliada da UE.
Para nós portugueses, o ano desafia-nos a escolher quem será o nosso Presidente da República. Analisando os candidatos, logo concluímos que existem demasiados e que alguns não têm a preparação que se esperaria. Como consequência, os portugueses reforçam a sua descrença nos políticos e no sistema político. A existência de tantos “pretendentes” é resultado do narcisismo político e favorece a eleição do status quo... Arriscamo-nos novamente a ter uma elevada abstenção e políticos responsáveis deveriam preocupar-se com a abstenção.
Termino com uma frase do Papa Francisco que trago para 2016 como desafio: “A experiência dos magos exorta-nos a não nos contentarmos com a mediocridade, nem com o deixa andar, mas a procurar o significado das coisas, descobrindo com paixão o grande mistério da vida.”
Fátima Ascensão