João Freitas Este poderia ser o nome de um site de referência, que concentrasse informação relevante sobre as práticas que contribuíram para a elasticidade (expansão e contracção) dos zeros nos bancos nacionais, conhecidos a partir de 2008 e que nos tem afectado.

“A banca foi um dos negócios mais prósperos de Portugal. Também o mais poderoso de todos eles. Pela influência nas empresas, através das participações directas e sobretudo pelas políticas de crédito. Esse poder, mais perene que o volátil poder político, cristalizou-se primeiro à volta do BCP, depois em torno do Grupo Espírito Santo. Os Governos sempre mandaram. Mas os bancos comandaram. Até que, em 2007, um pavio entrou em combustão espontânea. Começou nos Estados Unidos, alastrou à Europa, transmutou-se em crise soberana e arrasou os balanços dos bancos mais endividados – incluindo, em 2011, os portugueses. O drama é que, num país descapitalizado, uma restrição de crédito não é apenas uma crise bancária, é uma crise económica.” (Pedro Guerreiro, 2012, “A Banca”, FFMS) Num outro artigo, o mesmo autor escreveu acerca do BES: “Como foi possível que um império tamanho se perdesse entre dois verões, sem invernos que anunciassem a ruína ou primaveras que a redimissem? Talvez a resposta esteja noutra pergunta: como foi possível sequer construir este império tamanho? A resposta é, agora, fácil: não foi possível. Não era um império. Era um conglomerado descapitalizado, opaco e mal gerido. A plácida cascata de ativos, que criou um sistema de minorias acionistas encadeadas que garantia o controlo familiar com pouco capital, tornou-se uma torrencial cascata de passivos.” (“A queda de um Santo”, Exp. 21 Out. 2015)

Pedro Guerreiro e Isabel Vicente, explicam num artigo, de 8 páginas (Exp. 24 Dez.), do que até ao momento é conhecido, alguns exemplos de como os bancos nacionais destruiram 40 mil milhões de Euros. Num exercício comparativo, em escala, para melhor percepção deste valor, destaco dois: são quatro meses de PIB e outro, equivale a cinco anos de orçamento da saúde.

Uma das suas conclusões foi de que a banca “durante duas décadas, mais de um terço dos lucros foi distribuído aos acionistas. É mais do que os mesmos bancos pagavam de impostos”.

Em síntese, a conclusão do primeiro artigo referido: “Os bancos não têm vocação para súbditos, voltarão a ocupar um papel central. Um novo poder económico vai estabelecer-se em Portugal nos próximos anos e a banca vai fazer parte dele, até porque a economia precisa.

Mas os banqueiros terão de lembrar-se durante muitos anos o que lhes custou a embriaguez dos anos do euro: tirou-lhes quase tudo o que lhes deu. Deu-lhes outra coisa: a lição de que a boa gestão passa por dívida controlada, e portanto lucros menos espectaculares. E, assim saibam impor os governos, pagando com mais impostos. Mas isso fica para depois: para quando houver outra vez lucros.”