Está terminada a época das festas, festivais e semanas de comer e beber (gastronómicas). É tempo de voltar à terra e cuidar do trabalho. Nesta altura há muito que fazer. Depois de apanhar o milho, pôr as maçarocas a secar no espigão da casa e o feijão em cima do forno para esbulhar e guardar, agora a atenção vai toda para as vindimas, que estão ser um quebra-cabeças para os agricultores, tudo por culpa do S. Pedro que achou de abrir as torneiras quando não devia. Foi mesmo mauzinho! Estragou quase todo o bom trabalho que fez durante o ano. Mas há quem se gabe que tenha outra vez sido ajudado pelo S. Pedro. É o caso do José de S. Vicente que, lá pela zona baixa, todos os anos semeia uma cerca de milho e nos últimos anos tem tido a sorte de não chover nem dar vento quando o mesmo está em espiga. Por isso gaba-se sempre de ter mais que no ano anterior. Já há mesmo quem goze com a situação, pois sendo o terreno sempre o mesmo, com produção a aumentar assim todos anos, qualquer dia não há sacos que levem tanto grão. Quando lhe perguntaram quando ia ser a debulhada ele gabou-se que, sem contar, mesmo a olho, este ano tinha muito mais de cem mil maçarocas. E a pergunta inevitável veio: O que vai fazer a tanto milho? Meio atrapalhado o José disse que ia levar as maçarocas inteiras para deitar as ovelhas que tem lá para os lados do Sul. - E não deixa nada em S. Vicente? - Só uma cambulhada para semente. - Mas tenha cuidado com os ratos, podem comê-lo todo e, para o ano, tem de ir comprar mais para semear, como fez este ano.

Joel Freitas