F. Ferreira Só para dizer que a carta da Helena M. Faria, 02/08/2015, fez ding, ding na minha pessoa. Sou daqueles que, “infelizmente, não puderam ter uma educação que lhes permitisse usar o Português da forma mais correcta”. Portanto , à partida estou desculpado por qualquer erro. A minha 4ª classe não permite grandes ensaios literários. A minha “instrução”, (educação foi aquela que a família me deu), tem sido à custa de ler “montanhas” de livros. O orçamento familiar não permitiu a minha ida para o Liceu, como era meu desejo. Aos doze anos, investi todas as minhas economias, vinte escudos, em dois livros, a Rosa do Adro e outro qualquer que mandei vir de Lisboa e que acabaram, numa trágica noite de Sábado, atirados forno adentro, quando se preparava o pão para a semana. A minha querida e santa Mãe, que mal sabia ler, foi informada por minha irmã que eu andava a ler romances. Passados sessenta anos, parece que ainda estou a ver esta cena, digna da Divina Comédia de Dante. Eu a chorar, minha irmã a rir, (a sacaninha) e o vulto da minha mãe a atirar os livros forno adentro, tendo como pano de fundo um braseiro vermelho/laranja. Tudo isto para dizer que estou completamente de acordo consigo. Se há pessoas que adquirem os seus conhecimentos através da leitura como é que vão aprender se os textos estão errados ou mal escritos? Sou assinante do Diário e leitor desde sempre, não sei muito bem o que é o predicado ou o sujeito mas muitas vezes pergunto a mim próprio se esta frase não devia ter uma vírgula? Se aquele texto é uma afirmação ou interrogação? Uma coisa ou outra onde estão os respectivos pontos? Os profissionais da escrita não têm desculpa, assim como o Diário por não lhes dão um “puxão de orelhas”. Será que o “porreirismo e o facilitismo” já chegou também à escrita? Será que isto agora é tudo assim, como dizia a minha querida amiga Maria José, professora das Belas Artes, quando comentava a minha carta acerca do xixi e do cocó do Manuel Goucha? Acho que não devemos nem podemos pactuar com vulgaridades ou falta de profissionalismo, mesmo que nos chamem Velhos do Restelo. Será que estão a tentar imitar o Nobel Saramago quando escreve o memorial do convento? Nunca percebi a lógica, mas quem sou eu para discutir tão sublime figura? Acho muito bem , que apesar de muito letrados, como diria a minha sogra, façam como eu, leiam três ou mais vezes depois de escrever e antes de publicar o que quer que seja .