João Assunção As crianças são tesouros frágeis que ansiamos proteger, relíquias que guardamos nos nossos corações, fazendo o nosso corpo “estremecer” de sensações angustiantes, quando estão em perigo. Mas todo o cuidado é pouco, mantemo-las por perto, mas por vezes, perde-mo-las debaixo dos nossos narizes. Não se trata de negligencia, pois a vigilância total é impossível, mas por vezes, são as circunstancias que nos traem. Hoje foi assim: socorri na praia, um miúdo de cinco anos que caiu abruptamente pelas rochas abaixo, acabando dentro de agua com um traumatismo craniano. A aflição que senti ao ver o miúdo cair, a sua mãe desesperada, e eu 3 metros acima, levou-me a saltar instintivamente para o acudir. A imagem de uma criança em sofrimento é o pior que o Homem por ver, foi um momento horrível e muito emocionante, de duração de “um segundo”, isso basta e bastou, todo o cuidado é pouco, repito, e os medos são sempre muitos. Desabafo a minha preocupação como nadador-salvador, profissão que por dias, nos marca das piores formas possíveis, deixando-nos apenas com a noção da fragilidade dos putos, e do quão rápido os podemos perder. As melhoras para este forte miúdo! E segurança para com os vossos... Os melhores cumprimentos.