Coimbra tem sido um palco muito bom para o Marítimo nas últimas temporadas. Tem sido um dos campos mais atrativos para os verde-rubros onde, em 21 deslocações, apenas por 9 vezes conheceu o sabor da derrota e onde não perde desde 2008. Foi onde Mitchell se estreou ao leme do Marítimo (vitória por 4-2 em 09/10) e onde o Marítimo registou a sua vitória mais expressiva fora de portas (5-1 em 10/11) com Pedro Martins nos comandos. Nos últimos 10 anos, em 11 encontros, o Marítimo venceu 6 e empatou 3, com a Académica apenas a alcançar 2 vitórias. E se atendermos ao trajeto da ‘briosa’ nesta temporada, era o adversário ideal para a recuperação do Marítimo após a excelente vitória sobre o FC Porto.

E o jogo até começou de feição. Privado de Maazou, transferido para a China, e Raúl Silva castigado, Ebinho foi lançado pela primeira vez como titular na Liga (tinha 37 minutos jogados até então) e Gegé, regressado da CAN, assumiu o seu lugar no centro da defesa. Edgar Costa, mesmo lesionado (saiu pouco depois), ainda jogou o suficiente para pôr o Marítimo na liderança. A equipa estava segura, compacta e, pelo que se ouvia do relato radiofónico, perto de consolidar a vantagem com um segundo golo. Porém, ele não apareceu e, galvanizada com um golo de bola parada caído do céu, a Académica fez das suas fraquezas forças e procurou a vitória com mais empenho na segunda parte. Mas com excepção de um lance do regressado Cissé, as melhores ocasiões foram todas do Marítimo e tivesse Fábio Abreu encurtado a aba do chapéu a Lee, e os 3 pontos tinham vindo mesmo para a Madeira.

Apesar de tudo o empate permitiu reduzir a desvantagem para o sexto lugar. Está tudo em aberto nesta luta particular que, dependendo do que suceda na Taça de Portugal, até pode abrir uma vaga “europeia”. Mas o futuro do Marítimo depende muito da capacidade de fazer pontos fora de casa. Se nos Barreiros o Marítimo tem 19 pontos em 27 possíveis, no Continente são apenas 5 os pontos conquistados em 30 possíveis! É verdade que a equipa está há 4 jogos consecutivos fora sem perder (3 empates e 1 vitória, entre Taça da Liga e Campeonato), mas se o Marítimo quiser almejar algo mais que o meio da tabela, onde se encontra, tem de trazer vitórias no voo de regresso.

Destaque para o importante empate conseguido pelos nossos meninos da B em Portimão. Mais uma vez a jogar com menos de 11 jogadores (são 4 cartões vermelhos nos últimos 3 encontros – a rever ou, no mínimo, a protestar), a equipa foi ainda capaz de num último fôlego ir buscar um golo e roubar um ponto a uma equipa que se assume como candidata à subida. Faltam 21 jogos e 63 pontos para disputar. Um campeonato! Ainda vamos muito a tempo de garantir a permanência da equipa B do Marítimo na 2ª Liga.

À hora que escrevo esta crónica, os clubes agitam-se no último dia do mercado de Inverno. Do Marítimo saíram Maazou, André Ferreira para a Grécia e Bernardo para a Noruega. Falta saber o que acontecerá a Kaj, e chegou-se a um bom desfecho sobre o problemático Mohamed Ibrahim. Chegaram os brasileiros Raúl Silva, Eber Bessa, Cristian, António Carlos e o franco-congolês Moussa Marega, com a missão de fazer esquecer os 11 golos de Maazou. Para a B chegaram Kaká, o japonês Tojo e o jovem madeirense China (promovido da “C”). Até ver, está arrumada a casa do Marítimo.

Luís Miguel Rosa